As Aparências Enganam

Mário Moreno/ setembro 6, 2017/ Artigos

As Aparências Enganam

Interessante como às vezes o ditado popular pode ser tão real, pois ele diz “nem tudo o que reluz é ouro“, ou seja, em outras palavras, nem tudo que parece ser é. A Bíblia nos relata um fato que comprova esse dito, e este está registrado no livro de I Samuel, no capítulo 16, quando o Eterno ordena a Samuel que vá à família de Jessé o belemita, “porque dentre os seus filhos me tenho provido de um rei” (v. 1b).

Veja bem: o Eterno mesmo tinha providenciado para si um rei, o qual colocaria sobre a nação de Israel, pois fazendo isso D-us reverte o quadro que havia se instalado na nação quando o povo pede um rei: “Porém o povo não quis ouvir a voz de Samuel; e disseram: Não, mas haverá sobre nós um rei. E nós também seremos como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras” I Sm 8.19,20. Eles queriam ser semelhantes às outras nações, e quando fizeram isso rejeitaram o governo direto de D-us sobre eles, julgando que a monarquia teria um melhor efeito sobre a nação, pois no caso do rei eles poderiam vê-lo governando a nação e no caso de D-us este governo seria exercido de modo invisível, intangível, e quando precisassem reclamar de algo, a quem iriam? Portanto, a monarquia parecia ser um grande avanço para a nação, que a partir de então estaria em pé de igualdade com o restante do mundo conhecido, pois possuiria um rei.

Bem, Saul já havia falhado como rei que o povo escolhera sobre si, agora D-us toma novamente as rédeas da nação para dirigí-la através de um homem cujo coração pertence a Ele e a quem poderia tratar de forma a dar à nação as características de um povo particular, que pertencia ao Eterno. Mas, pergunta-se, como seria este rei ideal? Como seria o homem de D-us para a nação de Israel? Qual seria sua aparência, seu porte físico, sua ascendência?

Em primeiro lugar este homem de D-us sai de um lugar bem peculiar: da cidade de Beit lehen, pois esta palavra no hebraico significa “Casa de pão“, ou seja, este seria o homem ideal para dar ao povo o que comer, para alimentar ao povo em todos os sentidos, pois o rei deveria ser além de um grande comandan­te, também um grande legislador, um homem que aproximasse o povo de D-us e um homem que unisse a nação entre si, levando-a assim a ter as características de sua personalidade: a do homem segundo o coração de D-us, pois o rei seria o modelo de seu povo, o qual se espelharia nele como o comandante supremo da nação. Por isso a personalidade do rei era tão importante para a composição da personalidade da nação. Bem, voltemos ao rei. Na casa de Jessé, Samuel informa ao mesmo o motivo de sua visita e quando avista o primeiro filho de Jessé acredita ser este o ungido do Senhor. Ledo engano. D-us lhe comunica algo muito interessante: “Não atentes para a sua aparência, nem para a altura de sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (v. 7). Assim aconteceu com os outros filhos de Jessé, e acabando-se os filhos de Jessé, Samuel pergunta: “você não tem mais filhos?” (v.11). Jessé informa-lhe que o menor estava apascentando as ovelhas e Samuel manda que o chamem. Neste instante deve ter havido alguém que dissesse: “Samuel, não perca tempo com o garoto, ele é tão pequeno que não adiantará nada trazê-lo aqui, pois você busca um líder para a nação e este não é o caso dele”. Mas mesmo assim Samuel pede que tragam o menino, e quando o mesmo chega, D-us diz à Samuel: “Levanta-te e unge-o, pois este mesmo o é“. Veja que coisa maravilhosa temos aqui. Um menino, aparentemente sem nenhum valor para a família transforma-se no rei de Israel. Aparência? Que nada! Ele nada tinha que lhe conferisse qualquer chance de disputar um cargo a rei na nação, pois tudo nele apontava para um simples pastor de ovelhas e nada mais. Tudo? Ou quase tudo, pois o seu coração era coração de rei, coração de um jovem conquistador, bravo e lutador, alguém cujo relacionamento com o Eterno tinha determinado sua escolha para este tão importante momento da história de Israel. Ele possuía intimidade com D-us, conhecia ao Senhor porque tinha um relacionamen­to diário com Êle, sabia que quando precisasse d’Êle a Sua Força estaria sempre disponível, sabia também quem era o Senhor D-us de seus pais e conhecia-o de forma tão particular que D-us lhe deu o trono da nação de Israel. Ele, um simples menino é ungido rei de Israel, mudando assim o curso de sua vida e também da nação. Quando Davi é ungido rei por Samuel acontece algo: “e desde aquele dia em diante o espírito do IHVH se apoderou de David“(I Sm 16.13).

D-us ainda hoje procura pessoas assim, que não tenham a aparência privilegiada, que não tenham aspirações de serem importantes aos olhos dos homens, porém com um coração temente à D-us e disposto a mudar toda a história de sua vida e quem sabe até do mundo. O que você me diz disto, aceita este desafio de ser alguém segundo o coração de D-us e ser por Êle usado para fazer diferença neste mundo? Pense nisto e entregue-lhe o seu coração agora para que sua vida e seu ministério possam finalmente afluir diante d´Ele e para que muitos possam ser abençoados através de sua vida!

Mário Moreno.