Diferenças étnicas

Mário Moreno/ outubro 10, 2017/ Artigos

Diferenças étnicas

Apesar de ser um povo numericamente pequeno (algo em torno de 15 milhões em todo o mundo), os judeus partilham diferentes etnias, até de formas muito extremas. É fácil entender por quê. O principal motivo que explica o fato foram os constantes exílios a que foram submetidos durante três mil anos de história.

Ainda antes da Era Cristã existiam comunidades judaicas estabelecidas fora de Israel, especialmente as da Babilônia, Egito, Ásia Menor, Grécia e Roma. Na Idade Média, a Espanha tornou-se o principal centro judaico mundial. Com a expulsão dos judeus dos domínios espanhóis em 1492, os judeus sefaraditas deslocaram-se para Portugal, Marrocos, França, Itália, Turquia, Israel, Holanda, Inglaterra e Brasil, Argentina e Estados Unidos. Enquanto isso os judeus askenazitas dirigem-se para a Europa oriental, especialmente a Polônia, Rússia e Ucrânia. Paralelamente aos dois grandes grupos judaicos, outras comunidades israelitas muito sui generis se desenvolveram em regiões isoladas, como as do Iraque, Pérsia (atual Irã), Arábia, Iêmem, Cáucaso, Armênia, Etiópia, Afeganistão, Índia e até na China.

Características dos principais grupos étnicos judaicos:

Judeus índios

Trata-se de índios e mestiços católicos do México, Peru e Chile que se converteram espontaneamente ao judaísmo. Muitos vieram de Israel.

Askhenazitas (ashkenazim, em hebraico)

Formam o mais numeroso grupo entre os judeus. O termo aplica-se aos israelitas da Europa centro oriental de fala ídiche (língua de origem alemã recheada de palavras hebraicas e eslavas). Por extensão, aplica-se aos seus descendentes em todo o mundo. Os nomes de famílias que adotaram nos últimos séculos são na sua maioria de origem alemã como Bloch, Einstein, Mahler, Rotschild; russa como Bellow e Pasternak e também polonesa como Grabowski, Polanski, Zamenhoff, etc…

Sefarditas (sefaradim)

São os judeus de origem espanhola, que levam consigo suas tradições da língua ladina (um tipo de portunhol medieval com expressões hebraicas e turcas) para os países onde se fixaram. Com o tempo, esses judeus abandonaram o ladino e passaram a falar o idioma local, mas a maioria conserva até hoje seus sobrenomes ibéricos: Cardozo, Mendes, Lopes, Pereira, Seixas, Vidal e algumas vezes já adaptados à língua local, como o inglês: Brandon (Brandão), Gaster (Castro), Hendricks (Henrique), Pinter (Pinto).

Marranos

Descendentes dos sefaraditas convertidos à força ao catolicismo na Espanha e Portugal (século XV e XVI), mas que conservaram uma série de tradições judaicas em seus costumes privados, praticados ocultamente. Também denominados “criptojudeus” ou “cristãos-novos”. Centenas de marranos tem regressado ao judaísmo durante o século XX. Destacam-se os retornos verificados nas cidades de Porto e Belmont (Portugal), São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Fortaleza, Goiânia e Porto Alegre (Brasil), Tucson e Albuquerque (Estados Unidos).

Chuetas

Caso semelhante aos dos marranos portugueses são os chuletas da ilha espanhola de Maiorca. Moram em bairros especiais e casam-se entre si. Aparentemente são católicos romanos.

Italquitas

Judeus italianos que se estabeleceram em Roma a dois mil anos. Em determinado período falaram um idioma judaico-italiano próprio.

Mizrahaim

Judeus dos países árabes (Egito, Líbano, Síria e Iraque). Assimilaram a liturgia judaico-espanhola e são por isso muitas vezes confundidos com os sefaraditas ibéricos.

Maaravim

Originários do Norte da África (Marrocos, Argélia e Tunísia).

Mustárabes

Pequeno grupo de judeus que nunca saiu de Israel durante toda a diáspora. Viviam principalmente na aldeia de Pequiim, na Galiléia superior, entre árabes e drusos.

Teimanitas

Judeus do Iêmen. Suas tradições os colocaram no Iêmen desde a época do rei Salomão (c. 900 a C). Assemelham-se lingüisticamente aos judeus orientais (falam o árabe), porém sua pele é mais escura, quase amulatada, e possuem um folclore muito rico.

Samaritanos (Shomronim)

Vivem principalmente em duas cidades israelenses: Holon e Nablus. Praticam uma forma bíblica de judaísmo, cuja peculiaridade é reconhecer o Monte Gerizim, em vez de Jerusalém, como o centro de devoção.

Caraítas

Desligaram-se do judaísmo ofocial no século VIII d. C. Aceitam apenas a Bíblia hebraica e rejeitam a Lei Ora lê Talmúdica. Usam o hebraico em seus serviços religiosos e comerciais. Os principais grupos de caraítas vivam no Cairo, Criméia, Istambul, Vilna e nas cidades polonesas de Lutzk e Halisz. Muitos emigraram para Israel em 1948.

Donmeh

Descendentes dos judeus seguidores do falso messias Shabatai Tzvi. Eram encontrados em Salônica e em outras cidades gregas até o início do século XX. Atualmente existem apenas na Turquia, onde vivem externamente como muçulmanos e secretamente como judeus, empregando o ladino e o hebraico.

Frankista

Um dos seguidores das idéias de Shabatai Tzvi foi Jacob Frank que viveu na Polônia e acabou por se converter ao catolicismo, arrastando consigo muitos de seus discípulos. Até o final do século XIX existiam grupos de frankistas, meio judeus, meio católicos na Polônia.

Gruzim.

Judeus da Geórgia. Sua presença no Cáucaso ocidental, junto ao Mar Negro é muito antiga. Têm costumes típicos e são muito apegados à ortodoxia. Grande parte imigrou para Israel nas últimas décadas.

Judeus das Montanhas

Não devem ser confundidos com os gruzim, pois vivem ao lado oriental do Cáucasso, entre o Azerbaijão e o Mar Cáspio. Falam o parsi-tati, uma língua ancestral do persa moderno. Por sua localização geográfica, podem descender dos cazaros, pessoas que no século VIII d. C. converteram-se ao judaísmo.

Judeus de Bocara

De origem persa. Estabeleceram-se na Ásia Central (Ezbesquistão e outras regiões vizinhas, tendo a cidade de Bocara como seu centro). Falam o judeu-tajique, mistura de tajique, persa, línguas turcoromanas e hebraico.

Judeus curdos

Assemelham-se aos judeus persas, mas com distintas características culturais e sociais, desenvolvidas nas montanhas do curdistão, entre a Turquia, Iraque e Irã.

B´nei Israel

Judeus de Bombaim (ocidente da Índia). Mais claros que os judeus de Coxim; são porém idênticos aos indianos daquela região (Maratis).

Judeus de Coxim

Localizam-se no sul da Índia (Estado de Querala). São totalmente negros como os indianos do sul. Possivelmente resultam da conversão de escravos pertencentes aos senhores judeus. Falam o malaiala, idioma dravídico usado pelos habitantes originais da Índia antes das invasões indo-européias.

Judeus de Caifeng-Fu

Viviam na cidade do mesmo nome. Sobre o rio Amarelo (Hoang-Ho) na China Oriental. Missionários cristãos dão notícias a seu respeito nos séculos XVI e XVII. Usavam nomes chineses comuns e eram idênticos aos demais habitantes da região, física e culturalmente. Ainda em 1932 eram encontrados alguns destes judeus com alguma consciência de sua identidade.

Shinlung

Também conhecidos como B´nei Menashe. Originários do nordeste da Índia. São de aparência asiática oriental, como os chineses. Muitos emigraram para Israel nos anos 90 sem exigir os benefícios da Lei do Retorno conferidos a todos os judeus pelo Estado de Israel.

Falashas

Judeus de pele negra da Etiópia. Usavam a língua semítica tigre e tigrinia no dia a dia e o geez (antigo aramaico) como língua religiosa. A maioria deles foram resgatados de uma situação de miséria e fome, a partir de 1986, na chamada operação Salomão, e levados para Israel.

Black jews

Negros dos Estados Unidos que seguem várias práticas judaicas e chamam a si mesmos de “judeus”.