Parasha Vayechi

Mário Moreno/ dezembro 25, 2017/ Parasha da semana

Vayechi

(Ele viveu)

Gn 47.28–50.26 com I Rs 2.1-12

Quando Ia´aqov abençoa cada um de seus filhos na Porção da Torah desta semana, refere-se a Iehuda como um leão. Por que um leão?

Podemos assumir que assim como um leão é o rei dos animais, assim também Iehuda é o rei do povo judeu. Na verdade, o rei David descendia da tribo de Iehuda, assim como Mashiach, que também será rei do povo.

Porém, este é o único significado da metáfora do leão? Nem todos os reis sãochamados de leões. Na verdade, Reuven, o irmão mais velho, deveria ter sido rei, até que perdeu o privilégio após um mau julgamento na Parashat Vayishlach. Sua realeza foi descrita com o termo no qual Ética dos Pais descreve ser a qualidade do leopardo, não do leão. Então de que maneira Iehuda é como um leão?

Rabi Yochanan Zweig, gosta de explicar esse ponto referindo-se a uma passagem no Talmud ao final do Tratado Kidushin. Rabi Shimon ben Eleazar disse: “Por toda minha vida, jamais havia visto um cervo trabalhando como fazendeiro, nem uma raposa como comerciante ou um leão trabalhando como porteiro, mesmo assim ganham a vida sem dificuldades, e foram criados apenas para me servir! Eu (homem), que fui criado para servir ao Todo Poderoso, deveria ganhar minha vida com menos dor, exceto pelo fato de que me comprometi ao pecar (i.e., Adam, pecando no Jardim do Éden, tornou o ganho do sustento uma questão de batalhas e labutas).”

Das três ocupações que aparecem nesta passagem, todas menos uma parecem fazer sentido. O trabalho de comerciante aparentemente precisaria de cérebro, o de porteiro precisaria de força muscular e o de fazendeiro, de uma combinação dos dois. Então, se a raposa tiver um emprego, sugere o Talmud, seria o de cuidar de uma loja, pois a raposa é conhecida por sua astúcia. E se o cervo tivesse de trabalhar, faria sentido que fosse um fazendeiro, pois o cervo tem força corporal para trabalhar os campos, e o intelecto para gerir eficazmente sua propriedade. Mas por que o leão seria o porteiro? O urrante e majestoso rei dos animais deveria ser relegado a um simples trabalhador, arrebentando as costas de trabalhar, se tivesse de labutar para ganhar a vida? Como podemos entender isso?

Rabi Zweig enfatiza que o leão não seria um porteiro para os outros animais – permaneceria como rei deles. Ao contrário, seria um porteiro para o homem.

O que há de tão nobre em ser um “serviçal” para o homem? Porque o serviço de um porteiro é ser de total e absoluta servidão para seu cliente. As vendas do comerciante e as estruturas de preço do fazendeiro no atacado servem tanto a ele como trazem benefícios para o consumidor. Seu trabalho é simplesmente agradar o freguês.

O rei dos animais é aquele que percebe que sua função mais nobre e notável é permitir-se ser completamente usado pelo homem, seu superior. Este é Iehuda, o homem que seria rei, é aquele que admite sua absoluta inferioridade perante o Rei de todos os reis, e desta maneira sua realeza seria de governo poderoso e forte do povo, e ao mesmo tempo de serviço humilde e devotado ao Todo Poderoso.

Este foi o Rei David, um soberano poderoso e forte, mas também um homem humilde, servo devoto e doce cantor para D’us. Esta será também a qualidade de Mashiach (Messias): tanto um rei majestoso acima do homem, quanto um humilde servo do Criador.

Nesta Porção da Torah estaremos falando sobre o término do livro de Bereshit (Gênesis) e aprenderemos sobre a impressionante passagem onde Ia´aqov (agora Israel) ministra sobre seus filhos as bênçãos que determinariam o futuro de cada um deles e da nação de Israel.

Nesta porção temos o momento crucial da vida de Israel e de seus filhos: “E Ia´aqov viveu na terra do Egito dezessete anos, de sorte que os dias de Ia´aqov, os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete anos” (Gn 47:28). A escritura nos informa que Ia´aqov (Israel) viveu na terra do Egito dezessete anos! A palavra “viveu” em hebraico é hayâ e significa “viver, ter vida, permanecer vivo”. O fato de Israel estar no Egito foi certamente um ato providencial do Eterno e mesmo Israel estando no Egito a vida do Eterno permaneceu nele sustentando-o em pé. Mas, com todos os seres humanos, chegou o tempo da morte de Israel. Neste tempo assim aconteceu: “Chegando-se, pois, o tempo da morte de Israel, chamou a Iosef, seu filho, e disse-lhe: Se agora tenho achado graça em teus olhos, rogo-te que ponhas a tua mão debaixo da minha coxa, e usa comigo de beneficência e verdade; rogo-te que não me enterres no Egito” (Gn 47:29). Israel agora chama Iosef – o filho querido que fora-lhe devolvido – e pede-lhe algo que certamente seria tido como incomum por nós: que ele ponha a mão “debaixo de sua coxa” e jure-lhe que não o enterrasse no Egito! Mas, porque Israel teria feito isso? Primeiro temos que entender a consciência que Israel tinha sobre o Egito e sua terra natal – Canaã – o lugar que lhes fora prometido desde Avraham! Certamente Israel sabia que ser enterrado no Egito significaria correr o risco de nunca mais retornar a Canaã e ele certamente não queria correr tal risco! É justamente por isso que ele pede a Iosef que faça algo incomum! Em nossas traduções está escrito que Israel pediu-lhe que pusesse a mão “debaixo de sua coxa”. Em hebraico está assim: “…tahat yarek…” que significa: tahat em hebraico é “debaixo de, em lugar de, abaixo”; já a palavra yarek significa “coxa, lombo, partes íntimas”. A “coxa” simboliza a parte firme do homem e a fonte da vida! Mas, por que Israel lhe pediria para fazer isso? Devemos entender que Israel solicitou algo a Iosef que lhe era tão importante que ele pede a Iosef que jure pela origem de sua própria vida que cumprirá aquilo que prometeu!

        Em sua argumentação Israel explica-lhe o motivo e espera uma reação de seu filho Iosef: “Mas que eu jaza com os meus pais; por isso me levarás do Egito e me enterrarás na sepultura deles. E ele disse: Farei conforme a tua palavra. Então, lhe disse Ia´aqov: Jura-me. E ele jurou-lhe; e Israel se inclinou sobre a cabeceira da cama” (Gn 47:30-31).

Os fatos narrados acima aconteceram quando Israel sentiu a proximidade da morte, porém nada havia que lhe comprometesse fisicamente a saúde e lhe dissesse que a hora chegara! Ele sentia que o tempo se aproximava, mas não ainda sua hora!

Agora, acontece aquilo que já era esperado: a hora de Israel chega! “E aconteceu, depois destas coisas, que alguém disse a Iosef: Eis que teu pai está enfermo. Então tomou consigo os seus dois filhos, Manassés e Efraim. E alguém participou a Ia´aqov, e disse: Eis que Iosef teu filho vem a ti. E esforçou-se Israel, e assentou-se sobre a cama” (Gn 48:1-2). Agora Iosef encaminha-se à casa de seu pai juntamente com seus dois filhos para poderem ver à seu pai Israel e enquanto eles se encaminhavam para ali, Israel é avisado disso e esforça-se para sentar-se em sua cama! Isso nos demonstra que o estado de saúde de Israel neste momento já estava muito debilitado, o que inclusive tornava difícil qualquer movimento diferente do que o “estar deitado”, posição mais freqüente em que Israel se encontrava ultimamente.

Ia´aqov agora inicia suas declarações proféticas dizendo: “E Ia´aqov disse a Iosef: O D-us Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de Canaã, e me abençoou. E me disse: Eis que te farei frutificar e multiplicar, e tornar-te-ei uma multidão de povos e darei esta terra à tua descendência depois de ti, em possessão perpétua” (Gn 48.3-4). Israel inicia dizendo que El, prefixo que significa D-us e Shadday, palavra composta de she que significa “que, quem” e da palavra daybastante, suficiente”; daí she-dayaquele que é (auto) suficiente”. Israel tinha pleno conhecimento e certeza de que Aquele que lhe havia aparecido não era um D-us qualquer, mas o único que é suficiente para suprir tudo aquilo que precisarmos! Ele continua dizendo que o Eterno apareceu-lhe em Luz. Esta palavra “Luz” em hebraico significa “apartar-se, desviar-se”. Isso nos fala que o Eterno interveio na vida de Ia´aqov – Israel – num momento crucial de sua vida, certamente quando ele estava prestes a desviar-se dos propósitos do Senhor, e ali o Senhor transforma o “desvio” – Luz – em “casa de D-us” – Betel -. Naquele lugar – agora Betel – Ia´aqov foi abençoado. A palavra “abençoar” em hebraico é barak e significa “dar poder para alguém ser próspero, bem sucedido e fecundo”. O encontro entre Ia´aqov e o Eterno resultara numa extraordinária mudança de vida para ele! Ele ainda declara ter recebido algo mais do Eterno através daquilo que lhe fora dito: o Eterno dissera-lhe que ele haveria de frutificar e multiplicar-se. A palavra “frutificar” em hebraico é parâ e significa “frutificar, ser fecundo, ser frutífero, ramificar”. Já a palavra “multiplicar-se” em hebraico é rabâ e significa “ser numeroso, tornar-se numeroso”. A continuidade do versículo diz que ele se tornaria uma “multidão de povos”. A palavra “povos” em hebraico é `am e significa “povo” (particularmente o povo de Israel) e que a terra onde Ia´aqov se encontrava na ocasião seria dada à sua descendência. Esta palavra “descendência” em hebraico é zerá e significa “semente, descendência física”.

Analisando tudo o que foi dito a Israel concluímos que o Eterno haveria de multiplicar o povo de Israel em toda a terra e que a terra lhe seria dada perpetuamente e não somente à eles mas também aos seus descendentes físicos que teriam direito à promessa que lhe fora feita ali!

Israel diz agora a Iosef que oficialmente ele “toma-lhe” os filhos como sua descendência! Israel com isso assume-os como se fossem seus e informa a Iosef que os próximos descendentes ele haverão de ser chamados em sua herança! “Mas a tua geração, que gerarás depois deles, será tua; segundo o nome de seus irmãos serão chamados na sua herança” (Gn 48:6). A palavra “herança” aqui em hebraico é nahalâ e significa “herança, legado, possessão”. Aquilo que é ou pode ser passado adiante como herança. Certamente compreendemos que Israel aqui fala sobre aquilo que o próprio Iosef dará como legado aos seus próximos filhos, legado este que poderá ser físico como possessões, educação, padrões, etc… pois estes dois filhos seus estariam recebendo tudo isso através da bênção que será proferida pelos lábios de Israel, já que ele não teve tempo de estar com eles pessoalmente.

A bênção sobre os filhos de Iosef certamente foi determinante no futuro daqueles jovens. Assim aconteceu: “E tomou Iosef a ambos, a Efraim na sua mão direita, à esquerda de Israel, e Manassés na sua mão esquerda, à direita de Israel, e fê-los chegar a ele. Mas Israel estendeu a sua mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, que era o menor, e a sua esquerda sobre a cabeça de Manassés, dirigindo as suas mãos propositadamente, não obstante Manassés ser o primogênito” (Gn 48:14). Iosef faz seus filhos chegarem diante de seu pai, e conforme o costume, ele coloca Manasses para receber a bênção da destra de Israel! Este receberia a porção maior, pois ele era o primogênito de Iosef. Apesar de Iosef tomar suas precauções quanto à ordem correta dos rapazes, Israel tem o discernimento de que para o Eterno as coisas não são bem assim. Então ele inverte a ordem, dando a Efraim proeminência sobre seu irmão mais velho Manasses.

Agora Israel profere as memoráveis palavras dizendo: “E abençoou a Iosef, e disse: O D-us, em cuja presença andaram os meus pais Avraham e Itshaq, o D-us que me sustentou, desde que eu nasci até este dia; O anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes, e seja chamado neles o meu nome, e o nome de meus pais Avraham e Itshaq, e multipliquem-se como peixes, em multidão, no meio da terra” (Gn 48:15-16). Israel primeiro abençoa a seus netos através de seu filho Iosef lembrando-lhe que o D-us de seus pais era ainda com eles. Quando Israel abençoa os meninos através de Iosef ele usa a palavra barak, que significa “dar poder à alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo”. Em nossa tradução está escrito que D-us “sustentou” à Israel desde seu nascimento até aquele dia. A palavra que define o Eterno em hebraico é Elohim, e significa o D-us Criador. Assim também, a palavra “sustentar” em hebraico é ra´a e significa “ver, olhar, inspecionar”. O que Israel quis dizer aqui é que o D-us que o havia criado e o guardara presenciando cada ato e palavra em todo o seu caminho haveria de abençoar os rapazes dando-lhes poder para serem prósperos, bem-sucedidos e fecundos em tudo aquilo que fizessem!

Israel fala sobre “o anjo que livrou-o de todo o mal”. A palavra “anjo” em hebraico é malak com o mesmo significado; já o termo “livrar” em hebraico é ga´al e significa “redimir, vingar, resgatar, livrar, cumprir o papel de resgatador”. Só que quando nos reportamos à Escritura que fala sobre este “encontro” entre Ia´aqov e o ser celestial, descobrimos que ele encontrou-se com o próprio D-us! Certamente o que Israel queria dizer com isso era que, assim como em seu encontro com seu Criador sua vida mudara (e também o seu nome), que o mesmo pudesse acontecer com os rapazes, pois na luta de Ia´aqov com o Eterno ele não permitiu que o Senhor fosse antes de abençoa-lo! A palavra usada ali é o mesmo termo barak que significa “dar poder a alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo em tudo o que viessem a fazer”. Mas há ainda algo mais que lhes é dito por Israel: “e multipliquem-se como peixes, em multidão, no meio da terra”. Nesta frase há algo muito belo, pois ele profetiza a multiplicação em proporção geométrica para seus netos! Quando ele fala sobre “multiplicar-se”, ele usa a palavra hebraica dagâ que significa “multiplicar, aumentar”. Já a palavra “peixe” em hebraico é dag. Ou seja, o que ele diz é que assim como se multiplicam os peixes – colocando milhares de ovas duma só vez – assim se multipliquem as descendências daqueles garotos!

Iosef agora tenta interferir, pois percebe que a mão direita de Israel está sobre Efraim – o mais novo – e não sobre Manasses – o filho primogênito. Israel explica a Iosef que assim deve ser feito e profere então a bênção que mudaria a vida de Efraim e nos atingiria até a presente data: “Vendo, pois, Iosef que seu pai punha a sua mão direita sobre a cabeça de Efraim, foi mau aos seus olhos; e tomou a mão de seu pai, para a transpor de sobre a cabeça de Efraim à cabeça de Manassés. E Iosef disse a seu pai: Não assim, meu pai, porque este é o primogênito; põe a tua mão direita sobre a sua cabeça. Mas seu pai recusou, e disse: Eu o sei, meu filho, eu o sei; também ele será um povo, e também ele será grande; contudo o seu irmão menor será maior que ele, e a sua descendência será uma multidão de nações” (Gn 48:17-19). Israel profetizara que Efraim seriam maior que Manasses, ele usa a palavra hebraica gadal que significa “crescer, tornar-se grande ou importante, promover, tornar-se poderoso”. E continua dizendo que sua descendência, em hebraico zera, que significa “semeadura, semente, descendência física”, haveria de tornar-se uma grande nação, e para a palavra “nação” em hebraico ele usa o termo goy que significa “nação, povo, gentio, pagão”. Será que percebemos o que o Eterno colocou nos lábios de Israel e que nos diz respeito? A profecia liberada sobre Efraim nos fala que ele – Efraim – através de seus descendentes físicos tornar-se-ia grande, poderoso, importante e que eles formariam – ou seriam a base – das nações gentílicas! E nos últimos tempos nós cremos que o Efraim do Eterno está retornando para suas raízes! Hoje, os crentes em Ieshua são o Efraim do Eterno. Estes são aqueles cujas memórias e o passado foram quase que “apagados” para que não se lembrassem de suas origens e não pudessem ser ligados à sua verdadeira identidade! Mas algo restou em seus nomes que denuncia: eles são descendentes de Efraim, tendo em suas veias o sangue dos israelitas!

O relato bíblico completa o quadro dizendo: “Assim os abençoou naquele dia, dizendo: Em ti abençoará Israel, dizendo: Elohim te faça como a Efraim e como a Manassés. E pôs a Efraim diante de Manasses” (Gn 48.20). Quando a Escritura nos informa que Israel assim os abençoou, isso significa que além das palavras proféticas que foram-lhes ministradas, eles também receberam poder de Israel para serem prósperos, bem sucedidos e fecundos em todos os seus caminhos! E isso é extensivo à todos os seus descendentes! A bênção completa-se com o dito: “Elohim te faça como a Efraim e como a Manasses” e quando Israel diz isso ele chama o Eterno de Elohim – o D-us Criador! Ou seja, que o Criador te (nos) faça como Efraim e Manassés!

Após este encontro de Israel com seu filho Iosef e seus netos, então Israel agora ajunta todos seus filhos para dizer-lhes aquilo que está no coração do Eterno para suas vidas naquele instante e também no futuro. Assim foi dito: “Depois chamou Ia´aqov a seus filhos, e disse: Ajuntai-vos, e anunciar-vos-ei o que vos há de acontecer nos dias vindouros; ajuntai-vos, e ouvi, filhos de Ia´aqov; e ouvi a Israel vosso pai” (Gn 49:1-2). Neste momento cada um dos filhos de (Ia´aqov) Israel recebe uma palavra profética sobre sua vida. A ministração tem início com a palavra sobre Rubem: “Rúben, tu és meu primogênito, minha força e o princípio de meu vigor, o mais excelente em alteza e o mais excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porquanto subiste ao leito de teu pai. Então o contaminaste; subiu à minha cama” (Gn 49:4). A palavra Ruben em hebraico significa “Eis um filho”. É uma forma abreviada de ra´û be´anyî, “O Eterno viu a minha aflição” [Lia]. Já a palavra “primogênito” vem de re´shit que significa “primeiro, princípio, melhor”. Ele declara ser Ruben “mais excelente em poder”. A palavra “excelente” em hebraico é seet e significa “exaltação, dignidade”. Já a palavra “poder” vem de ´az que significa “forte, poderoso, impetuoso”. Isto determina aos filhos de Rúben que eles realmente seriam tão impetuosos quanto a água – teriam o poder de entrar e destruir o que tocassem -, pois quando a água “invade” um lugar nada pode detê-la! Certamente esta seria sua característica mais marcante entre as tribos de Israel.

Agora temos a palavra sobre Simeão e Levi: “Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. No seu secreto conselho não entre minha alma, com a sua congregação minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua teima arrebataram bois. Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; eu os dividirei em Ia´aqov, e os espalharei em Israel” (Gn 49:5-7). A estes dois irmãos – Simeão e Levi o Eterno reserva outras características. O primeiro – Simeão – tem o seu nome com o significado de “Ouvindo”. É uma referência aos contínuos clamores de Lia que foram “ouvidos” pelo Eterno que lhe deu um outro filho! Já o nome Levi significa “junto”. Certamente Lia tinha a esperança de poder ter Ia´aqov junto a si por causa deste filho! Ela certamente mantinha relações físicas e familiares com Ia´aqov, mas parece que sua mente e seu coração estavam distantes dela… É dito sobre eles que “suas espadas são instrumentos de violência”. A palavra “espadas” em hebraico é mekera com o mesmo significado.  Já a palavra “violência” vem do termo hebraico hamas que significa “violência, mal, injustiça”. Nós bem sabemos que o Eterno “reclama” para si o direito de vingar-se de quem quer que seja! Aqueles que nos fazem qualquer tipo de mal não devem receber o “troco” através de nossas próprias mãos, mas sim através das mãos de nosso Protetor e Guarda que é o Senhor! É dito ainda sobre eles “Maldito seja o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; eu os dividirei em Ia´aqov, e os espalharei em Israel”. A palavra “dividir” em hebraico é halaf e significa “repartir, dividir, dar como porção”. Já a palavra “espalhar” é pûts e significa “ser disperso, espalhar”. Simeão e Levi, na época da divisão do reino, foram dispersos por duas vezes: a primeira foi no momento da cisão da nação em dois reinos: norte e sul. Já a segunda foi quando os assírios invadiram Israel e levaram as 10 tribos cativas. Deste cativeiro voltaram somente uns poucos remanescentes! A profecia cumpriu-se fielmente!

Já em relação Judá, as palavras de Israel são as seguintes: “Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho, da presa subiste, filho meu; encurva-se, e deita-se como um leão, e como um leão velho; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos. Ele amarrará o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à cepa mais excelente; ele lavará a sua roupa no vinho, e a sua capa em sangue de uvas. Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite” (Gênesis 49:8-12). A palavra Iehuda significa “louvor”, pois quando ele nasceu houve um intenso louvor no coração de Lia! É dito sobre ele que seus irmãos o “louvarão”. A palavra aqui em hebraico é yadâ e significa “confessar, louvar, dar graças, agradecer”. O restante do versículo nos esclarece o porque esta palavra foi ali colocada: “a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão”. Mas quando isso aconteceu? A mão sobre o pescoço indica que os inimigos foram por ele vencidos; já os filhos do pai a ele se inclinando demonstram, no mínimo, um respeito muito grande! Quando vasculhamos a história vamos ver que esta profecia já falava sobre O descendente da tribo de Iehuda que venceria seu inimigo mortal e por causa desta vitória os seus irmãos a Ele se inclinariam! É ainda dito que Iehuda seria leão. A palavra “leão” em hebraico é arieh, com o mesmo significado. Durante a história de Israel nenhum homem foi comparado ao leão, exceto Ieshua! Sobre Ele é dito: Eu sou o Leão da Tribo de Iehuda! Isso encaixa-se com a profecia proferida por Israel e também o fat ode que Ieshua é da tribo de Iehuda! A palavra ainda nos informa que “O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos”. A palavra “cetro” em hebraico é shebet e significa “vara, bordão, cetro, tribo”. Esta vara ou bordão que identificava a tribo à qual seu possuidor pertencia simboliza autoridade conferida a seu proprietário e Israel profetizou que ela não se afastaria de Iehuda até que viesse Silo. O nome “Silo” em hebraico é shilôh e vem da raiz shay que significa “um presente dado em sinal de respeito”. Silo é a figura profética que viria a fim de trazer um presente ao povo de Israel: salvação! Édito ainda que “a ele se congregarão os povos”. A palavra “congregar” em hebraico é yiqhâ que significa “obediência”. Já a palavra “povos” em hebraico é ´am e significa “povo, nação”. Esta palavra é usada exclusivamente para o povo de Israel. Estava sendo profetizado que Silo atrairia a si o seu povo e eles o obedeceriam! Isso já teve início com a morte e ressurreição de Ieshua e continua até os nossos dias! Ele cumpriu a profecia de Israel, pois “Ele amarrará o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à cepa mais excelente; ele lavará a sua roupa no vinho, e a sua capa em sangue de uvas. Os olhos serão vermelhos de vinho, e os dentes brancos de leite”. Certamente nós bem nos lembramos de como esta profecia cumpriu-se plenamente em Ieshua!

Versículo 49:10

“Não se tirará poder de Iehuda, nem o cetro dentre seus pés, até que venha o Mashiach…”

Cada alma possui uma centelha da alma de Mashiach. (Rabi Israel Báal Shem Tov)

MASHIACH ESTÁ NO AR

Após o falecimento de Rabi Dovber de Mezeritch, em 1772 (5533), Rabi Menachem Mendel de Horodok levou um grupo de chassidim para se estabelecer na Terra Santa.

Um dia, apareceu um certo indivíduo que subiu ao Monte das Oliveiras em Jerusalém e tocou o shofar, de modo enganador. Logo espalhou-se o rumor de que Mashiach havia chegado, provocando uma grande comoção nas ruas. Rabi Mendel foi até a janela e aspirou o ar. “Não,” disse ele, “infelizmente o Redentor ainda não chegou. Quando chegarmos ao grande dia, ‘o mundo ficará repleto do conhecimento de D’us, como as águas cobrem o mar’ e ‘toda carne perceberá’ a realidade do Criador. Não sinto a Divina verdade que permeará o mundo na era de Mashiach.”

Disse o renomado Rabi Grunem Estherman: “Por que Rabi Mendel precisou ir até a janela para farejar a presença de Mashiach? Porque a verdade toda penetrante de D’us já era uma realidade tangível dentro das paredes do quarto de Rabi Mendel.”

Agora Israel fala a Zebulon – cujo nome significa “morada”, dizendo-lhe: “Zebulom habitará no porto dos mares, e será como porto dos navios, e o seu termo será para Sidom” (Gn 49:13). Na antiguidade esta profecia nunca cumpriu-se, pois os termos delineados nesta palavra na realidade pertenciam a Aser. Atualmente, não sabemos em que locais encontram-se as tribos em Israel e portanto não podemos afirmar que a profecia cumpriu-se ou não.

Israel agora dirige-se a Issacar. “Issacar é jumento de fortes ossos, deitado entre dois fardos. E viu ele que o descanso era bom, e que a terra era deliciosa e abaixou seu ombro para acarretar, e serviu debaixo de tributo” (Gn 49:14-15). A palavra Issacar significa “galardão”. Quanto à esta tribo, percebemos que a profecia cumpriu-se literalmente, pois eles habitaram entre Aser e Manassés e ali “descansou” de sua labuta. A terra onde habitaram era extremamente fértil – ao norte de Israel – e com um clima muito agradável para viver.

Já sobre Dan é dito o seguinte: “Dan julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dan será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro por detrás. A tua salvação espero, ó Senhor!” (Gn 49:16-18).  A palavra Dan em hebraico significa “juiz”. Aqui Israel faz uma sobreposição quando diz que Dan fará din ao seu ´am! Dan – juiz – julgará ao povo de Israel, como um de suas tribos! Aqui a palavra “tribo” em hebraico é shebet e significa “vara, bordão, cetro, tribo”. Percebamos que alguns versículos acima esta mesma palavra foi traduzida por “cetro”, mas aqui toma um outro sentido! Ou seja, a Dan seria dada “autoridade” para julgar ao povo de Israel com a sua própria “vara” ou símbolo de autoridade que lhe fora concedido! Ou seja, o juízo exercido por Dan não viria de leis ou conceitos estranhos ao seu povo, mas sim da própria Palavra do Eterno que seria utilizada por eles para exercerem o juízo entre o seu povo. E o melhor é que sobre Dan diz que “A tua salvação espero, ó Senhor”. Eles seriam os juízes que estariam esperando o Ieshua de IHVH! O tetragrama significa: “Eu me torno aquilo que me torno”. Ou seja, o próprio D-us de Israel se tornaria para eles em seu Messias e o seu nome seria Ieshua!

Agora vem a palavra a Gade, Aser e Naftali: “Quanto a Gade, uma tropa o acometerá; mas ele a acometerá por fim. De Aser, o seu pão será gordo, e ele dará delícias reais. Naftali é uma gazela solta; ele dá palavras formosas” (Gn 49:19-21). A palavra Gade em hebraico significa sorte, fortuna. Sobre ele é profetizado que seria atacado, mas que num contra-ataque Gade venceria seus inimigos! Já sobre Aser, que em hebraico é ´asher e significa “feliz” e quanto à ele foi-lhe dito que ele teria pão gordo (fartura) e Aser daria à Israel delícias reais! Já Naftali significa “lutando” e sobre ele foi dito que Naftali é como uma gazela solta, ou seja, ele cavalga as alturas. Isso cumpriu-se já em sua localização geográfica, pois a tribo de Naftali ficava situada ao norte de Israel e próximo a várias montanhas!

Agora teremos a ministração sobre Iosef. Assim foi dito sobre ele: “Iosef é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e odiaram. O seu arco, porém, susteve-se no forte, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Ia´aqov (de onde é o pastor e a pedra de Israel). Pelo D-us de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos altos céus, com bênçãos do abismo que está embaixo, com bênçãos dos seios e da madre. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até à extremidade dos outeiros eternos; elas estarão sobre a cabeça de Iosef, e sobre o alto da cabeça do que foi separado de seus irmãos” (Gn 49:22-26). Em primeiro lugar devemos entender que a palavra Iosef em hebraico significa “acrescentar, aumentar”. Israel diz ser ele um “ramo frutífero”. A palavra “ramo” em hebraico é ben e significa “filho”! A tradução literal do versículo seria: “Iosef é um filho frutífero, filho frutífero junto à fonte” (destaque nosso). Já a palavra “frutífero” em hebraico é parâ que significa “frutificar, ser frutífero, ser fecundo, ramificar”. O Eterno tencionava que Iosef pudesse certamente espalhar-se muito – assim como uma planta lança de si seus galhos – e então ocupar um espaço muito extenso no mundo. Ele continua dizendo que “… suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Ia´aqov (de onde é o pastor e a pedra de Israel)”. A palavra “valente” em hebraico é abîr e significa “forte, poderoso, O poderoso”. Já a palavra traduzida por “pastor” em hebraico é ro´i com o mesmo significado. A palavra “pedra” vem do vocábulo ´eben com o mesmo significado. O que Israel dizia era que Aquele que vê tudo em todo o tempo estaria “guardando” a vida deles e também seria o seu sustentáculo, além de ferir seus inimigos! Iosef – e seus descendentes – receberiam isso: “Pelo Elohm de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos altos céus, com bênçãos do abismo que está embaixo, com bênçãos dos seios e da madre. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais, até à extremidade dos outeiros eternos; elas estarão sobre a cabeça de Iosef, e sobre o alto da cabeça do que foi separado de seus irmãos”. Israel pronuncia uma bênção que consideramos como “completa” sobre Iosef, pois ela abrange os céus, o abismo e os seios da madre. Esta bênção seria maior do que a bênção que o próprio Israel recebera de seu pai e permaneceria sobre a cabeça de Iosef sempre. Lembremo-nos que quando ocorre a palavra abençoar, benção, o vocábulo usado no hebraico é barak (ou um de seus desdobramentos), significando sempre “dar poder a alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo”.

E finalmente por último vem Benjamim. A palavra Benjamim significa “filho da mão direita”. A sua ministração foi assim: “Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã comerá a presa, e à tarde repartirá o despojo” (Gn 49:27). A palavra profética sobre Benjamim fala de sua força física e de sua impetuosidade, pois ele é como lobo que despedaça sua presa e a come! Não importa o tamanho da presa, mas sim a desejo de satisfação de suas necessidades! Ele primeiro mata sua presa e depois a reparte entre seus irmãos!

Agora temos o momento em que Israel morre e é recolhido pelo Eterno às suas moradas!

Acabando, pois, Ia´aqov de dar instruções a seus filhos, encolheu os pés na cama, e expirou, e foi congregado ao seu povo” (Gn 49:33). A palavra “instruções” em hebraico é tsawa e significa “ordenar, incumbir”. Após Israel ter dado ordens e incumbido seus filhso daquilo que o Eterno tinha para eles, então ele encolhe-se na cama e é congregado ao seu povo. A palavra povo em hebraico é ´am e significa “povo” (particularmente o povo de Israel). Israel agora reúne-se aos hebreus – israelitas – mortos desde a fundação do mundo e agora descansa definitivamente nos braços do D-us de Israel!

      O texto a seguir nos informa quais foram as reações quanto à morte de Israel e os procedimentos para seu funeral: “Então Iosef se lançou sobre o rosto de seu pai e chorou sobre ele, e o beijou. E Iosef ordenou aos seus servos, os médicos, que embalsamassem a seu pai; e os médicos embalsamaram a Israel. E cumpriram-se-lhe quarenta dias; porque assim se cumprem os dias daqueles que se embalsamam; e os egípcios o choraram setenta dias. Passados, pois, os dias de seu choro, falou Iosef à casa de Faraó, dizendo: Se agora tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que faleis aos ouvidos de Faraó, dizendo: Meu pai me fez jurar, dizendo: Eis que eu morro; em meu sepulcro, que cavei para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, te peço, que eu suba, para que sepulte a meu pai; então voltarei. E Faraó disse: Sobe, e sepulta a teu pai como ele te fez jurar. E Iosef subiu para sepultar a seu pai; e subiram com ele todos os servos de Faraó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egito. Como também toda a casa de Iosef, e seus irmãos, e a casa de seu pai; somente deixaram na terra de Gósen os seus meninos, e as suas ovelhas e as suas vacas. E subiram também com ele, tanto carros como gente a cavalo; e o cortejo foi grandíssimo. Chegando eles, pois, à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram um grande e dolorido pranto; e fez a seu pai uma grande lamentação por sete dias. E vendo os moradores da terra, os cananeus, o luto na eira de Atade, disseram: É este o pranto grande dos egípcios. Por isso chamou-se-lhe Abel-Mizraim, que está além do Jordão. E fizeram-lhe os seus filhos assim como ele lhes ordenara. Pois os seus filhos o levaram à terra de Canaã, e o sepultaram na cova do campo de Macpela, que Avraham tinha comprado com o campo, por herança de sepultura de Efrom, o heteu, em frente de Manre” (Gn 50:1-13). O interessante a ser percebido aqui é que Iosef e uma grande comitiva saíram do Egito e foram até Canaã somente para efetuarem o sepultamento de Israel! O caminho percorrido foi muito grande e atualmente a sepultura de Israel está em Macpela que vem da raiz kepel e significa “dobro”. Talvez seja “caverna dupla”.

Após a morte de Israel, a situação dos irmãos de Iosef é de “suspense”, pois eles não sabem ao certo o que ocorrerá com eles e com seus familiares. “Depois de haver sepultado seu pai, voltou Iosef para o Egito, ele e seus irmãos, e todos os que com ele subiram a sepultar seu pai. Vendo então os irmãos de Iosef que seu pai já estava morto, disseram: Porventura nos odiará Iosef e certamente nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos. Portanto mandaram dizer a Iosef: Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo: Assim direis a Iosef: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do D-us de teu pai. E Iosef chorou quando eles lhe falavam” (Gn 50:14-17). O apelo dos irmãos de Iosef é comovente, e, inclusive, tão forte que o próprio Iosef é “atingido” pela palavra dita pelos irmãos. Quando é dito: “Assim direis a Iosef: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do D-us de teu pai. E Iosef chorou quando eles lhe falavam”, falta uma palavra que é interposta entre o nome de Iosef e o verbo perdoar. Esta palavra é anna que significa “Ah! Eu agora te imploro”. Já a palavra “transgressão” usada aqui em hebraico é pasha´ e significa “rebelar-se, transgredir, revoltar-se”. No coração dos irmãos de Iosef há uma profunda humildade, pois seu pedido transmite isso, e eles em seus corações sabem que o que fizeram à ele no passado foi o mesmo que Há Satan fez com o Criador: rebelião! Além da transgressão – rebelião, revolta – houve também o pecado. A  palavra “pecado” em hebraico é hata e significa “errar, sair do caminho, pecar, tornar-se culpado, perder”. Este termo retrata de uma forma muito exata aquilo que é o pecado, pois nos fala sobre sair do caminho – certamente, o de D-us -, também sobre tornar-se culpado, perder. O pecado nada mais é do que um “desvio” do caminho que nos fora proposto pelo Criador e nós – inclusive como humanidade – resolvemos tomar o atalho e então pecamos!

O interessante é que a reação de Iosef é simplesmente chorar! A palavra “chorar” em hebraico é bakâ e significa “chorar, lamentar, derramar lágrimas”. Este termo nos dá a dimensão do estado de espírito no qual Iosef entrou ouvindo aquilo que seus irmãos diziam, pois para ele tudo o que acontecera já fora perdoado! Iosef era um homem cuja alam já havia sido liberta deste pesado fardo da “falta de perdão”. Já seus irmãos ainda precisavam da libertação na alma da “culpa”. Eles ainda não haviam se perdoado pelo que fizeram, mesmo sabendo que seu irmão Iosef já os havia perdoado, eles ainda assim mantinham a culpa sobre si daquilo que acontecera. Em meio ao choro compulsivo de Iosef, seus irmãos então prostram-se diante dele! “Depois vieram também seus irmãos, e prostraram-se diante dele, e disseram: Eis-nos aqui por teus servos” (Gn 50:18). A palavra “prostrar-se” em hebraico é napal e significa “cair, prostrar-se, ser lançado fora, fracassar”. O sentimento no coração daqueles homens era justamente esse: o de serem lançados fora da presença de Iosef e terminarem seus dias como escravos! Eles ainda não criam no perdão que haviam recebido!

A palavra de Iosef quanto ao ato de seus irmãos demonstra-nos tudo o que dissemos acima: “E Iosef lhes disse: Não temais; porventura estou eu em lugar de D-us? Vós bem intentastes mal contra mim; porém D-us o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida. Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos filhos. Assim os consolou, e falou segundo o coração deles” (Gn 50:19-21). Iosef diz-lhes que não temam! A palavra “temer” em hebraico é yare e significa “temer, ter medo, reverenciar”. Iosef lhes informa que este sentimento de temor não deve tomar conta de seus corações, pois afinal de contas ele – Iosef – não está no lugar de D-us! A palavra usada aqui para designar o Eterno é Elohim, que significa O D-us Criador! Ou seja, Iosef sabe que sua função não é a de julgar alguém – quem quer que seja – mas sim na de atuar como aquele que salvará a tantos quantos for possível! As palavras de Iosef trazem consolo e alento ao coração de seus irmãos!

A história do livro termina com um fato interessante: “Iosef, pois, habitou no Egito, ele e a casa de seu pai; e viveu Iosef cento e dez anos. E viu Iosef os filhos de Efraim, da terceira geração; também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de Iosef. E disse Iosef a seus irmãos: Eu morro; mas D-us certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra à terra que jurou a Avraham, a Itshaq e a Ia´aqov. E Iosef fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente vos visitará D-us, e fareis transportar os meus ossos daqui. E morreu Iosef da idade de cento e dez anos, e o embalsamaram e o puseram num caixão no Egito” (Gn 50:22-26). Devemos destacar que Iosef diz a seus irmãos que ele certamente morreria, mas que um dia O D-us Criador (Elohim) os visitaria. A palavra “visitar” em hebraico é paqad e significa “computar, calcular, visitar, castigar, nomear”. Neste contexto percebemos que o que o Criador faria seria computar o tempo em que o povo ficaria no Egito e depois os “visitaria” com a finalidade de redimi-los e retira-los daquele lugar. Assim como seu pai, Iosef pede-lhes que seus ossos sejam levados e enterrados na terra de seus pais!

O livro termina dizendo que Iosef foi embalsamado e posto num caixão na terra do Egito. A palavra “embalsamar” em hebraico é hanutim com o mesmo significado. Já a palavra “caixão” em hebraico é aron e significa “arca, caixão, baú”. O termo Egito é Mitsrayim. O livro de Gênesis termina com Iosef sendo embalsamado – segundo toda a pompa e tradição egípcias – e seu corpo é colocado num caixão na terra do Egito. Assim cumpriu-se o ministério e o tempo de Iosef, sendo usado pelo Eterno para que o mundo e sua família – seu povo – fossem salvos por ele e para que a história da humanidade tomasse um rumo totalmente diferente por causa de sua fé e de sua persistência!

Que o Eterno faça-nos assim com fez com Iosef!

Mário Moreno