Qual o significado do Shabat?

Mário Moreno/ agosto 4, 2017/ Shabat

Shabat

Qual o significado do Shabat?

Muitas polêmicas são levantadas acerca do sábado no meio da Igreja de Ieshua dos nossos dias. Há os que dizem que sim, é importante o tempo de descanso, o dia do Senhor, mas o “Sábado” pode ser o domingo ou qualquer outro dia da semana que se separe para o Senhor. Outros, mais radicais alegam que, definitivamente, o dia do Senhor passou a ser o domingo e que qualquer tentativa de voltar ao sábado é voltar à Torah, é impor ordenanças ao povo de D-us, é colocar o “fardo” do Tanach sobre os redimidos. Mas existem também os que afirmam ter encontrado o “segredo” do sábado nas Escrituras e, para estes, o sétimo dia sim, é que foi santificado e deve ser guardado e consagrado ao Senhor.

Muitas vezes têm ecoado nos arraiais da Igreja do Ungido. E muito importante é, que em vez de sairmos combatendo as ideias (ou irmãos) que não estão em concordância com as nossas crenças, sejamos como os judeus de Beréia (Atos 17:11), que “receberam a palavra com toda a avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim”.

Portanto, consideremos pela Palavra de D-us a questão do Sábado, frisando que não é nosso propósito levantar polêmicas e muito menos acusar de certos ou errados os que guardam ou não guardam o sábado. Pois muito importante é que aprendamos a andar no respeito, na liberdade e no amor entre os irmãos.

Um presente do Tesouro de D-us

Num certo compêndio sobre as festas judaicas, encontramos a seguinte declaração: “Não consideramos o Shabat apenas como um mandamento Divino, mas sim como um presente do tesouro de D-us, que tem elevado a vida do povo judeu. Mais do que o povo de Israel tem conservado o Shabat, é ele, o Shabat, que conserva o povo de Israel”.

Isso nos leva a uma reflexão profunda sobre o significado do Shabat (“descanso” em hebraico). Poderia ser considerado um “presente do tesouro de D-us” uma simples lei penosa, que traz fardo sobre o homem? Se o sábado foi apenas uma imposição da Lei Mosaica, que já caducou em nossos dias, porque ainda hoje a prática do Shabat integra, restaura e renova as esperanças do povo de Israel?

Analisando as Escrituras Sagradas descobrimos logo em seu início, no livro de Gênesis uma revelação de suma importância – o Sábado foi estabelecido antes da Lei Mosaica e para um contexto onde o homem estava como havia sido projetado por D-us, isto é, sem pecado, antes da sua queda:

“Assim foram acabados os céus e a terra, com todo o seu exército. Ora, havendo Elohim completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Elohim o sétimo dia e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera” Gn 2:1-3.

O Espírito de D-us já trouxe à sua Igreja a declaração de que a Bíblia quer dizer exatamente o que ela diz. E que são os nossos teologismos incrédulos que apagam e até anulam as suas verdades. Portanto, em Espírito, consideremos o que nos diz Gênesis 2:30 – “Abençoou Elohim o SÉTIMO DIA e o santificou, porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera”.

O que encontramos aqui? Que D-us abençoou a segunda-feira, ou a quarta, ou o domingo? Não. D-us abençoou o SÉTIMO DIA – que é Sábado – e o santificou. Isso significa que o sétimo dia foi distinguido entre os demais dias da semana. Não queremos dizer, com isso que os outros dias não são abençoados. Mas que o Senhor deu uma conotação especial ao sábado. Ele foi tornado santo, ou seja, separado para o uso exclusivo de D-us.

É importante observar a ligação do Shabat com o número 7. Sabemos que os números têm um significado profundo na Bíblia. E é assim que encontramos o número 7 como o número de D-us, ou seja, o número que designa o completo, a plenitude, a totalidade. Este número está relacionado também com “promessa e juramento”. Em muitas passagens bíblicas encontramos o número 7 como padrão, distinguindo um dia ou um tempo muito importante.

Só para exemplificar (não nos aprofundaremos, pois este é um tema para outro estudo), consideremos alguns textos: Gênesis 8:4 – A arca de Noé repousou em terra no sétimo mês; Êxodo 21:2 – os escravos deveriam ser livres no sétimo ano; Êxodo 23:11 – no sétimo ano os lavradores deviam deixar descansar a terra; Êxodo 24:16 – No sétimo dia em que Moshe buscava ao Senhor no Monte Sinai, D-us o chamou do meio da nuvem; Levítico 13:6 – No sétimo dia os leprosos deveriam se apresentar ao sacerdote, para ser por este considerado limpo ou impuro; Levítico 25 – o ano de jubileu, tempo de reconquista das posses, era o 50°. ano, contado a partir de sete vezes, sete anos; Josué 6 – na tomada de Jericó, D-us ordena que sete sacerdotes levassem sete trombetas e, no sétimo dia rodeassem a cidade sete vezes; Atos 6:3 – os apóstolos decidem a escolha de sete homens de boa reputação para o serviço da Igreja; Apocalipse 1 – João fala da revelação para as sete igrejas e sobre os sete espíritos que estão diante de D-us, sobre os sete menorot de ouro e as sete estrelas; Apocalipse 15 – são descritos os sete anjos que têm as sete últimas pragas que serão derramadas sobre a terra.

Inúmeras outras passagens, tanto no Antigo como na Brit Hadasha poderiam ser citadas, mas estas são suficientes para reconhecermos que D-us atribui alguma coisa especial ao número 7. Portanto, não foi por acaso que Ele escolheu o sétimo dia como o dia do descanso. Há um sentido espiritual e profético nisso, o que nos leva a considerá-lo e mesmo a buscar seu sentido.

Com tudo isso, se quisermos torcer a Palavra de D-us, podemos “acabar” com Gênesis 2, afirmando que o sábado pode ser qualquer dia ou que o tempo de descanso sabático não tem nenhum valor. Mas, a verdade, a palavra do Senhor pura, sem a influência maliciosa do homem em seus muitos pensamentos, temos que aceitar isso: que o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou.

Consideremos, pois, Gênesis 2:3 como o versículo básico sobre o Shabat e como a abertura da revelação bíblica acercado do sábado.

Lei ou Refrigério?

Ainda em Gênesis, façamos uma reflexão sobre a instituição do Sábado como o dia santo ao Senhor:

No capítulo um, vemos a magnífica obra da criação dos céus e da terra e de tudo o que neles há. Em cada um dos seis dias da criação, está manifesto o poder da maravilhosa união do Espírito de D-us com a sua Palavra. Este poder atinge o seu clímax quando, na viração do sexto para o sétimo dia, o Senhor diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança, domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra e sobre todo o réptil que se arrasta sobre a Terra. Criou, pois, Elohim o homem à sua imagem, à imagem de Elohim o criou; homem e mulher os criou. Então Elohim os abençoou…” (Gn 1:26-28).

Terminava o sexto dia da criação. O homem foi a última obra e “viu D-us tudo quanto fizera e eis que era muito bom” Logo após, D-us estabelece o sábado.

Há dois importantes aspectos a considerar aqui: o primeiro é que o tempo de descanso, o Sábado do Senhor, foi estabelecido não como ordenança para tentar corrigir o pecado, pois até aqui o homem ainda não tinha caído. Criado à imagem e semelhança de D-us, vivendo em comunhão com o Seu Criador, habitando num lugar tão sublime, (que não pôde mais ser sua morada depois do pecado) o homem não precisava de redenção. E é nesse contexto que o Senhor estabelece o Sábado como dia santo, o que nos traz a conclusão de que o Shabat não é simplesmente uma lei, mas um princípio de vida.

O segundo aspecto é a maravilhosa situação na qual D-us colocou o homem. No fim do sexto dia D-us criou o homem e a sua companheira, a mulher. E o que aconteceu, logo depois? D-us estabeleceu o dia do descanso. Vemos, então que o primeiro dia do homem na terra foi um Sábado. Ou seja, o Senhor operou em todas as coisas de tal maneira que o homem começou sua vida na terra com o descanso. E a primeira visão que o homem teve foi a do Seu Criador.

Assim é que descobrimos o refrigério do Shabat e o “presente do tesouro de D-us” que ele significa. O primeiro dia do homem na terra é santificado ao Senhor, é de comunhão íntima e profunda com o seu Criador, é dedicado a D-us. O homem começa adorando e entrando no descanso de D-us para estar habilitado a realizar sua obra. No dia do descanso, o homem se prepara para os seis dias de trabalho que virão depois. E esta preparação implica em consagrar o dia ao Senhor, estar diante Dele, refletir com Ele, ouvi-lo e deixar que Ele dê as instruções para os próximos seis dias.

Com tudo isso vemos a formação de um ciclo na vida do homem. Um ciclo vital estabelecido por D-us: Descanso – Trabalho – Descanso. Um ciclo cujo significado transcende, ultrapassa as semanas corriqueiras do homem na terra, falando também da sua restauração, após a sua queda e do seu futuro no eterno repouso sabático junto ao Criador.

Lembra-te

Na cerimônia que celebra o Shabat, os judeus acendem normalmente duas velas. Elas simbolizam as duas expressões a respeito do Sábado que aparecem nas duas versões dos Dez Mandamentos: Zachor (lembra-te), referindo-se a Êxodo 20:8 – “Lembra-te do dia do sábado para o santificar…” e Shamor (guarda), Deuteronômio 5:12 – “Guarda o dia do sábado para o santificar, como te ordenou o IHVH teu Elohim…”

Não foi por acaso que D-us instruiu o seu povo a celebrar suas festas e, dentro delas, o Shabat. O Senhor conhece o homem e, especialmente após a sua queda, sabe dos seus limites e da sua dificuldade em permanecer fiel aos seus princípios. E o princípio do Shabat é vital e, como vimos, foi estabelecido desde o início, como um memorial da criação. Por isso a sua celebração. Precisamos nos lembrar, sim. LEMBRAR!

Lembrar que a nossa semana deve começar com uma profunda comunhão com o Nosso Criador (Gênesis 2). Lembrar que é preciso avaliar, diante de D-us, a semana que se foi, e que é necessário nos prepararmos, também diante de D-us, para a semana que se inicia, mantendo assim a nossa vida em constante reciclagem junto ao Pai.

Mas este é um tempo também de nos lembrarmos do descanso da nossa redenção da “escravidão do Egito” (Deuteronômio 5) e que ainda nos resta um repouso sabático (Hebreus 4). É sobre estes outros importantes aspectos do Shabat que trataremos a seguir.

O descanso após a escravidão

No capítulo 5 de Deuteronômio, onde temos a repetição dos Dez Mandamentos, encontramos uma referência à Libertação do Povo de Israel do Egito dentro do ensinamento sobre o sábado:

“Lembra-te de que foste servo na terra do Egito, e que o IHVH teu Elohim te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o IHVH teu Elohim te ordenou que guardasses o dia do sábado”.

O dia do descanso, onde um tempo para reflexão diante de D-us é estabelecido, passa a ter a orientação, vinda do Senhor, de que seja também um dia para lembrança da milagrosa libertação do Povo de Israel do domínio escravocrata egípcio.

Mas o que a saúda da escravidão do Egito tem a ver com o sábado? E, mais do que isso, em que esta prática diz respeito à Igreja de Ieshua?

Como já dissemos, o nosso D-us não faz nada por acaso. Todas as suas obras e todos os seus ensinamentos visam o cumprimento de um propósito e não a satisfação da Sua vaidade. Neste contexto é que vislumbramos o grande valor do Shabat, que representa também o descanso da nossa redenção.

Continuando a analisar as Escrituras, descobrimos no Livro de Hebreus (sim, s Brit Hadasha fala, e muito, sobre o Sábado) uma preciosa explanação acerca do significado sabático da saída do povo de Israel do Egito e da necessidade que nós, crentes em Ieshua, temos de nos lembrar deste acontecimento.

No capítulo 3, com uma palavra de alerta a conservarmos firmes até o fim a nossa confiança (vs. 6), somos levados ao Salmo 95, onde é descrita a atitude de incredulidade e dureza de coração dos Hebreus após a saída do Egito. O Salmo termina desta forma: “Assim jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso”. E nas palavras de Hebreus seguem-se os alertas para a Igreja: “Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do D-us Vivo… Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, com na provocação; pois quais os que, tendo-a ouvido, o provocaram? Não foram, porventura, todos os que saíram do Egito por meio de Moshe? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura contra os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade.

Esta palavra é bastante forte e dela tiramos importantes exortações. Mas queremos agora nos concentrar no aspecto “descanso”.

O povo judeu provocou a D-us no deserto, após sua saída do Egito e o Senhor não permitiu que eles entrassem no descanso. Mas que descanso foi esse? Voltemos para a Tanach. Números 14 nos informa: “nenhum deles verá a terra que com juramento prometi a seus pais; nenhum daqueles que me desprezaram a verá… certamente nenhum de nós entrará na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num”. E Deuteronômio 1 ressalta: “Nenhum dos homens desta geração perversa verá a boa terra que prometi com juramento dar a vossos pais…

Descobrimos aí que o descanso que os que provocaram ao Senhor no deserto do Sinai perderam, foi a terra da promessa. A terra dada por D-us e por Ele abençoada se constituía, sem dúvida, num precioso descanso para o povo hebreu que, em terra alheia, foi escravizado e explorado de todas as formas.

Eretz Israel (a terra de Israel) simbolizava a expressão máxima da libertação, da identidade, da esperança e da continuidade do povo judeu. E estabelecia a renovação de sua aliança com o Senhor.

Está claro porque D-us instrui o Seu povo a guardar o sábado, fazendo dele uma lembrança da sua libertação do Egito. Quão importante é para o judeu, em todos os tempos, lembrar-se do amor e do poder de Jeová ao tirá-lo do terrível lugar de escravidão do Egito e levá-lo para uma terra onde o Senhor é o próprio D-us e sobra a qual Ele derrama as suas bênçãos.

Para a igreja de O Ungido, igualmente, esta prática do Shabat como tempo de lembrar da libertação do Egito é de suma importância. Literalmente falando, a milagrosa saída do povo hebreu do Egito aviva a nossa fé, pois nos lembra dos poderosos feitos do Nosso D-us. Lembra-nos que o D-us de Israel é o único Senhor, que Ele é vivo e intervém na história a favor dos seus escolhidos. Aleluia!

Entretanto, figuradamente também, levando a libertação do Egito para o plano espiritual, tendo esse fato histórico como um retrato da libertação que D-us planejou para toda a humanidade, do jugo do pecado e do diabo, através de O Ungido, encontramos maior valor ainda.

Você consegue vislumbrar a excelência que representa para nós, a cada semana, lembrarmo-nos do dia da nossa salvação, refletindo em como estávamos antes de aceitarmos a O Ungido como nosso Salvador e Senhor e em como temos nos tornado a cada dia, vivendo no seu Reino?

Verdadeiramente o Shabat não é acaso, nem mera satisfação da vaidade divina. É uma instrução dadivosa do Rei do universo, para nos ajudar a perseverar na caminhada que Ele mesmo nos propôs. E assim é que encontramos a revelação do Shabat completando a visão do Reino de D-us, para o qual o Espírito Santo tem despertado a Igreja de O Ungido, trazendo a ela restauração e preparo para o seu futuro na glória de D-us.

Descanso presente ou futuro?

Acabamos de falar sobre o deleite presente do Shabat. E quem tem tido a coragem de experimentá-lo, tem provado o que é “cavalgar sobre as alturas da terra” (Isaías 58:14). Como os judeus, os crentes que se lembram de guardar o sábado conhecem, no tempo atual, o “presente do Tesouro de D-us” que ele significa. Contudo, a dimensão espiritual do Shabat é profunda e vai muito além do que começamos a experimentar. E é novamente em Hebreus que encontramos uma forte referência ao descanso que se completará no tempo ainda porvir:

“Portanto, resta ainda um repouso sabático para o povo de Elohim” (Hb 4:9).

Muitas vezes, no nosso limitado entendimento, tendemos a achar que a Bíblia parece contraditória. Mas, definitivamente, a Palavra de D-us é o livro de verdades. Verdades que não se anulam, antes se completam e estão permeadas com as grandezas do conhecimento de D-us. Reflitamos, pois, na busca da verdade, sobre as escrituras de Hebreus 3 e 4:

Já vimos as referências feitas no capítulo 3, ao descanso prometido ao povo hebreu após sua saída do Egito, e que foi perdido (pela maioria) por causa da incredulidade e dureza de coração. Entretanto, no capítulo 4, um novo horizonte se abre acerca do descanso, que não anula o sentido anterior, mas amplia a dimensão do descanso sabático.

O autor de Hebreus alerta para o fato de que há ainda um descanso sabático não alcançado. Este descanso é futuro, é o que nos aguarda a partir do Reino Milenar do Senhor Ieshua o Ungido ainda por manifestar-se. E o Shabat é um sinal que aponta para este tempo. Porque, como o primeiro dia do homem na terra foi um sábado, também o seu último dia será um Shabat.

D-us deu a terra ao homem por um período de tempo. Ao completar este tempo, o Senhor virá e dirá: “Vinde, benditos do meu Pai, para o descanso eterno…”.

Considerando a análise já feita por muitos teólogos, acerca do tempo do homem na terra, definimos de Adão a Abraão 2.000 anos, de Abraão a Ieshua, mais 2.000 anos e de Ieshua ao tempo do fim, mais 2000 anos. Partindo do pressuposto que mil anos para o Senhor são como um dia, o que vemos, então? Dois dias, mais dois dias, mais dois dias, que somam seis dias. E, depois, qual é o dia? O sétimo. Isso significa que em 6 (seis) dias proféticos faremos toda a obra na terra e no sétimo dia D-us virá e nos levará para o seu descanso, fazendo-nos completar o ciclo “DESCANSO – TRABALHO – DESCANSO”.

Mas porque pensarmos nosso hoje? Porque precisamos preparar o nosso coração para o dia do Senhor, para o Sábado do Senhor. Precisamos nos alertar para isso. Estamos às vésperas do grande Shabat, quando, enfim, “voltaremos” ao projeto inicial de D-us: andando em Sua presença e com Ele nos comunicando face a face, desfrutando totalmente e somente do Seu Reino, sem maldições ou opressões malignas, e habitando novamente no “jardim do Éden” que D-us preparou para aquele que criou à sua imagem e semelhança. Todas as coisas estão caminhando para isso e não podemos ficar alheios. O Espírito Santo está incomodando a Igreja. Visão do Reino, unção de adoração como nunca antes provada.

Tudo isso nos prepara para o Grande Encontro com o Senhor, para o nosso definitivo repouso sabático. Firmemos bem, pois, estas verdades:

O SHABAT é um memorial da criação e fala da comunhão do homem com o Seu Criador;

O SHABAT nos lembra da nossa libertação do Egito deste mundo;

O SHABAT é um sinal do futuro que nos aguarda no Senhor que, certamente, nos reserva muitas e maravilhosas surpresas.

O Sábado na Brit Hadasha

A importância do Shabat para o povo judeu é inquestionável. Se fizermos uma análise do Tanach como um todo, incluindo tanto livros Históricos quanto proféticos, encontraremos um destaque especial atribuído ao Sábado.

A sua observância se traduzia em bênçãos e o seu não cumprimento trazia sobre o povo de Israel perseguições, exílios e outras maldições (ver Jeremias 17:20 a 25 e Ezequiel 20:19-21). Mas isso não dizia respeito somente àquele tempo e aos israelitas? Na Brit Hadasha o sábado não foi abolido? Consideremos o que nos diz a Palavra de D-us.

Ieshua não veio destruir mas cumprir a Torah

Uma primeira consideração, fazendo a ponte entre a Tanach e a Brit Hadasha é indispensável para o nosso estudo.

Em Êxodo 20, no famoso decálogo – os dez mandamentos da Lei de D-us dada a Moshe e ao povo de Israel aos pés do Monte Sinai – vemos o grande significado do sábado ligado à aliança de D-us com o seu povo.

É comum ouvirmos referências feitas ao decálogo resumindo-o simplesmente como lei, só válida para a Antiga Aliança e para o povo judeu. Temos aprendido, no entanto, com as revelações do Espírito o Santo, à luz da Palavra de D-us, que as coisas não são bem assim. Em Êxodo 34:27 e 28, vemos o Senhor referindo-se aos Dez Mandamentos como as palavras do pacto ou da aliança: “Disse mais o IHVH a Moshe: escreve estas palavras; porque conforme o teor destas palavras tenho feito pacto (aliança) contigo e com Israel”. E “tábuas da Aliança” são chamadas as tábuas do decálogo (Dt 9:9,11,15) sendo colocadas dentro da Arca coberta de ouro que ficava no lugar mais santo do Tabernáculo e depois do Templo e que recebe o nome de Arca da Aliança (Dt 10:8 e Hb 9:4).

Com isso vemos que os Dez Mandamentos constituem uma aliança entre D-us e o seu povo, que tem tanto valor, que foi conservada por séculos como um sinal do pacto entre D-us e o homem. Mas isso ainda é válido em nossos dias? Pode-se argumentar. Quem responde é Ieshua: “Não penseis que vim destruir a lei e os profetas; não vim destruir, mas cumprir” (Mt 5:17).

Poderíamos encerrar a questão com esta declaração do Senhor Ieshua. Mas consideremos ainda alguns pontos:

Será que seriam tão sem importância palavras que o D-us, mesmo escreveu com as suas mãos em tábuas de pedra, no meio de manifestação do seu poder e da sua glória?

Se formos citando um a um os Dez Mandamentos: “Não terás outros deuses diante de Mim; não farás para ti imagem de escultura… Não tomarás o nome do IHVH teu Elohim em vão… Honra a teu pai e a tua mãe… Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho contra o teu próximo; não cobiçaras a casa do teu próximo…” (Êxodo20). Podemos nós, crentes no Senhor Ieshua o Ungido dizer que eles não são para nós? Cremos que estes nove mandamentos ainda são obrigatórios (omitimos o quarto mandamento de propósito). Quem, porém, nos autorizou a violar o quarto mandamento, que fala para lembrar o dia de sábado para o santificar e que tem o maior comentário de D-us dentro do Decálogo?

Se formos olhar para a Tanach com uma visão simplista, afirmando que em O Ungido não temos mais nada com a antiga aliança, porque buscamos ali, em diversas Escrituras, conforto e incentivo para a nossa fé? E mais do que isso, porque trazemos de lá as referências para falarmos, por exemplo, de dízimos? Se não queremos toda a verdade de D-us, sejamos no mínimo coerentes, não é?

Mas Ieshua nos dá um grande respaldo para o sábado, com esta afirmação de que veio nos capacitar a cumprir a lei e não para revogá-la. E com isso é aberta a revelação sobre o sábado no Brit Hadasha.

Ieshua e o Sábado

Muitas vezes o Senhor Ieshua o Ungido foi interpelado pelos judeus acerca do Sábado. Por causa disso, teologizou-se na Igreja do Ungido que Ieshua violava o sábado e que este dia deixou de ter valor especial para o cristianismo e para D-us. Isso é verdade?

Vamos conferir nas Escrituras:

Para começar, consideramos importante ressaltar que o sábado não foi esquecido na Brit Hadasha. Prova disso é o fato de que encontramos simplesmente 60 referências a ele, número superior ao tratamento dado a muitos outros assuntos considerados de maior importância pela maioria dos crentes. Se o sábado, pois, tornou-se tão sem valor para a Brit Hadasha, porque foi tantas vezes citado? É preciso refletir sobre isso.

Avançando, porém, na nossa pesquisa bíblica, analisemos como Ieshua tratou a questão do sábado. Logo no primeiro livro da Brit Hadasha, as Boas novas segundo Mateus, no capítulo 12, encontramos o primeiro impasse entre os fariseus e Ieshua acerca do sábado. A mesma passagem é descrita nos evangelhos de Marcos (capítulo 2) e de Lucas (capítulo 6): ao passarem por uma seara num dia de sábado e estando com fome, os discípulos começaram a colher e debulhar espigas de milho e a comer. Este ato foi apontado como ilícito de se fazer no sábado pelos fariseus. Logo a seguir, Ieshua entrou na Sinagoga e foi levado “à prova” pelos fariseus, sendo indagado se seria lícito curar no sábado.

Vejamos como Ieshua respondeu a tudo isso: Acerca da colheita de espigas, Ele fez lembrança a dois fatos na história de Israel onde as “regras” foram quebradas por homens de D-us, sem que estes fossem punidos, por estarem em condição especial. Foi o caso de Davi e seus companheiros, que comeram os pães da proposição, que só podiam ser comidos pelos sacerdotes e o fato de que os sacerdotes trabalhavam no templo aos sábados e ficavam sem culpa. Com isso Ele mostrou que o propósito de D-us para o homem prevalece sobre o sábado, ou seja, o sábado está sujeito às necessidades humanas e não estas ao sábado. Então Ele questionou o legalismo do qual o sábado se revestiu, afirmando: “Se vós soubésseis o que significa: misericórdia quero e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes”. E deixou a valiosa afirmação de que “o Filho de Adam é Senhor do sábado”.

Sejamos honestos na avaliação desta passagem. Em algum momento Ieshua negou o sábado como um dia santificado ao Senhor? Não. O que Ele fez foi condenar o legalismo com o qual o sábado foi sobrecarregado. E, ao declarar o seu senhorio sobre o sétimo dia, Ele deixou nas entrelinhas que Ele é quem sabe o que se deve e o que não se deve fazer, devendo os seus seguidores ouví-lo.

No que se refere à cura do homem com a mão atrofiada a questão se aprofunda ainda mais. Ieshua questiona os fariseus acerca do que faziam, nos sábados, por exemplo, quando um de seus animais, caísse em uma cova. Como era costume deles salvar, no caso, o animal, Ele ressalta: “Quanto mais vale um homem do que uma ovelha!” E, então, faz os fariseus refletirem sobre a importância de se ter a bondade acima do legalismo sobre a guarda do sábado: “É lícito fazer bem no sábado”.

Novamente percebemos que Ieshua não negou o Sábado como dia santificado ao Senhor, mas definiu agora o que fazer no sábado: o Bem. E Ele, no íntimo, tinha um objetivo bem definido para com os fariseus: tirar de sobre eles o jugo preceitos que eles mesmos acrescentaram à Lei moral de D-us. (Os fariseus estabeleceram cerca de 39 categorias de trabalho proibido de se executar no sábado, acrescidas de maior rigidez, quanto mais aficcionados no legalismo eles se tornaram.

Também em Lucas 13 e 14 e nas boas novas de João, capítulos 5 e 9, encontramos outras passagens narrando o questionamento dos fariseus a Ieshua, por este curar enfermos no dia de sábado. E, em todas elas, Ieshua não nega o sábado, mas afirma a importância de se fazer o bem neste dia, ressaltando, inclusive, que D-us e Ele não cessavam de trabalhar, fazendo com que os fariseus olhassem mais para o valor da obra divina do que para o peso das suas tradições. Isso significa que o sábado deve ser guardado sim, mas com a operação de D-us sobre o homem e através do homem e não com o legalismo humano limitando a ação de D-us.

Sendo coerentes, pois, somente com estas passagens podemos concluir que Ieshua não aboliu o sábado, mas o redefiniu. Avaliemos, no entanto, outros trechos da Brit Hadasha.

O Sábado como dia de culto

Ainda falando sobre a relação de Ieshua com o sábado, descobrimos nas páginas dos evangelhos revelações valiosas, agora envolvendo o sábado como dia de culto a D-us.

Em Mateus, capítulo 12; Marcos 1:3 e 6; Lucas 4:6 e 13, temos declarações literais de Ieshua participando do culto judaico nas Sinagogas, aos sábados. O Shabat era (e ainda é) o dia de culto a D-us para os judeus. Este dia se constituiu no momento em que eles param seus trabalhos e dedicam-se às orações, à leitura e meditação da “Torah” (Pentateuco) e dos demais livros da Tanach e ao encontro e comunhão com a “família israelita”. E o Messias de Israel, Ieshua, aderiu totalmente a esta tradição, ao ponto das boas novas de Lucas nos deixar o registro de que Ele tinha o hábito de ir à Sinagoga no Shabat: “… entrou na Sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume e levantou-se para ler” (Lc 4:16).

Se Ieshua objetivava, com a Brit Hadasha, acabar com o sábado como dia especial dedicado ao Senhor, não seria contraditória a sua participação dos cultos neste dia? E por que Ele não questionou, em momento algum, a santificação deste dia e também não propôs outro dia para substitui-lo?

Na Brit Hadasha não existe nenhuma palavra sequer abolindo o dia de culto no Shabat, como, da mesma forma, nada fala da abolição do sábado como dia de descanso. A mudança deste dia para o domingo, segundo a tradição católica e evangélica trouxe a nós, não possui nenhum fundamento bíblico. Trataremos sobre isso mais a frente. Mas queremos agora avançar um pouco na história da Igreja do Ungido descrita biblicamente, enfocando ainda o Dia de culto.

A grande referência bíblica para nós neste momento é o livro de Atos dos Apóstolos. Nos capítulos 13,15,16,17 e 18 encontramos também a descrição literal e inquestionável da presença do Apóstolo Sha´ul nos cultos das Sinagogas, ou em lugares de oração, no Shabat. E, à semelhança do Senhor Ieshua o Ungido, em nenhum momento sequer, mesmo nas suas pregações aos gentios, Sha´ul questionou ou anulou o valor do sábado. Pelo contrário, também ele tinha o costume de ir à sinagoga neste dia (Atos 17:2).

Muitos argumentos são levantados dentro da Igreja de Ieshua em nossos dias, contra o propósito de guardar o sábado como “Dia do Senhor”. É importante, no entanto, que fique bem claro que na Brit Hadasha não existe nenhuma autorização para a mudança deste quarto mandamento do Decálogo. Existem muitas interpretações, mas nenhuma só palavra bíblica que trate da abolição do Sétimo dia como Dia Santo ao Senhor. E, se cremos na autoridade da Palavra de D-us, devemos no mínimo refletir sobre isso.

Para finalizar a análise do relacionamento do Senhor Ieshua com o sábado, consideremos ainda outras passagens descritas nos evangelhos. Em Lucas 23:54-56, temos o relato sobre as mulheres que acompanharam o seu sepultamento, junto a José de Arimatéia. Ia começar o sábado, como está escrito, deixando claro que Ieshua foi sepultado na véspera do Shabat. Quando, porém, chega o sábado, o que as mulheres fizeram? “E no sábado repousaram, conforme o mandamento”, afirma o versículo 56. Estas mulheres eram muito próximas do Senhor enquanto ele exercia seu ministério. Podemos até afirmar que elas eram “discípulas”, que não o abandonaram na hora de sua morte e que tinham tanto valor para o Ungido que foram as primeiras a receber a notícia da ressurreição do Senhor (Lucas 24). Tivesse Ieshua pregado a abolição do sábado, essas suas fiéis seguidoras ainda o guardariam? Com tanta dedicação àquele que elas reconheciam ser o Ungido, ou seja, o Messias de Israel e o Filho de D-us, tão deliberadamente o desobedeceriam? Mais uma vez sejamos coerentes em nossa análise!

Temos, ainda, outra importante referência bíblica sobre Ieshua e o sábado. E, desta vez (pasmem os incrédulos), o sábado é ressaltado pelo Senhor como um Dia guardado nos tempos do fim, na época da Grande Tribulação, futuro da Igreja do Ungido que ainda hoje ela não alcançou.

Aproximava-se a Sua morte e Ieshua reuniu os seus discípulos e começou a profetizar sobre o tempo do fim (Mateus 24). Quando profetizava, pois, sobre a grande tribulação, Ele afirma: “Orai para que a vossa fuga não suceda no inverno, nem no Sábado; porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá”.

Por que Ele se referiu ao Sábado? Se este dia não tivesse nenhuma conotação especial, porque Ele o citaria? Porque o sábado era guardado pelo povo de D-us no tempo de Ieshua aqui na terra, e deveria continuar a ser guardado até o fim. Uma fuga no inverno seria, sem dúvida, bastante difícil. Mas e no sábado? Sendo este o Dia de Descanso, onde diversas atividades são paralisadas, não se tornaria tudo bem mais difícil? Uma fuga sem muitos recursos, num clima silencioso de feriado, não é muito mais difícil?

É interessante ressaltar aqui o que acontece na Nação de Israel em nossos dias. Quando chega o Shabat, tudo pára. Até no aeroporto. E, em bairros de judeus mais ortodoxos, nem os carros circulam. Dá para perceber o quadro? Este era o cenário que Ieshua via quando pensava no dia de sábado no futuro. Por isso aconselhou os discípulos a orarem para que a fuga da opressão do anticristo possa ser feita num outro dia da semana, onde não é necessário restringir as atividades e onde se poderá ter, também, os recursos à disposição.

Aleluia! O Espírito de D-us está, a tempo, nos avivando a memória para a verdade bíblica, para que possamos ter uma tradição e um costume acertado para o futuro que nos aguarda. Sem exageros, mas também sem ignorar o que é importante. Saibamos nós responder ao Espírito o Santo e deixar que o Senhor do Sábado governe, não só o sétimo, mas todos os outros dias das nossas vidas.

E lembremo-nos de que foi D-us, o Criador de todas as coisas e Soberano Absoluto quem determinou a observância do Sábado e que só Ele pode aboli-lo. Contudo, se Ele não o aboliu, cabe a nós sermos obedientes, pois, afinal, Ele sabe todas as coisas e é, sobre tudo, Senhor.

Mario Moreno