Tatuagem: sim ou não?

Mário Moreno/ novembro 13, 2017/ Artigos

Tatuagem: sim ou não?

Ultimamente muito tem se falado sobre este tema que é tão antigo porém tão atual… Quais são os conceitos que estão por trás desta hoje tão difundida forma de marcar definitivamente a pele?

Em primeiro lugar vejamos o que dizem as Escrituras sobre isso: “Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o Senhor” (Lv 19:28). Aqui o termo mais importante no texto para aquilo que desejamos analisar é a palavra “golpes”, que provém do termo hebraico “ketobet” e significa “marca na pele”. O verbo “katab” significa “escrever, registrar, alistar”. A ideia é de algo que é escrito de forma definitiva. Bem, então a tradução correta da primeira parte do versículo seria: “Pelos mortos não escrevereis (ou fazer-se uma incisão) sobre a vossa carne….”. Então isso muda completamente aquilo que conhecemos sobre essa prática, pois temos agora um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto.

Este mesmo termo ocorre somente mais três vezes nas Escrituras:

“E, havendo-o passado, escreverás nelas todas as palavras desta lei, para entrares na terra que te der o IHVH teu Elohim, terra que mana leite e mel, como te falou o IHVH Elohim de teus pais” (Dt 27:3)

“E naquelas pedras escreverás todas as palavras desta lei, exprimindo-as nitidamente” (Dt 27:8).

“Toma o rolo de um livro, e escreve nele todas as palavras que te tenho falado de Israel, e de Judá, e de todas as nações, desde o dia em que eu te falei, desde os dias de Josias até ao dia de hoje” (Jr 36:2).

Obs:. As palavras grifadas correspondem ao termo descrito acima.

Estes versos adicionais demonstram que este tipo de “escrita” ou “marca” deveria ser feita de forma definitiva. E pelo texto registrado em Levítico percebemos que estas marcas seriam “feitas” sobre a “carne” do homem. Então segue-se que é proibido marcar o corpo humano de qualquer maneira; isso certamente não é aprovado pelas Escrituras!

Já a palavra “marca” em hebraico é “qa´aqa” e significa “incisão, tatuagem”. O Eterno proíbe terminantemente seu povo de tatuar seu corpo ou fazer qualquer marca em seu corpo que o identifique com qualquer entidade, pessoa ou grupo social ou étnico! A tatuagem tinha – e ainda tem – justamente esta finalidade! E o Eterno separou para si um povo santo e puro de tal forma que não haveria qualquer necessidade de tais marcas serem feitas no corpo, até porque tais atos demonstravam no passado uma sujeição a nível de escravidão por parte destas pessoas! Os escravos eram marcados com os emblemas, iniciais, ou marcas distintivas de seus senhores!

A tradição judaica também fala sobre isso no Midrash “Kedoshim” dizendo:

Um judeu não pode tatuar seu corpo

”Nos tempos de outrora, sacerdotes da idolatria costumavam se tatuar. E, muitas vezes, as pessoas se tatuavam após a morte de um parente para mostrar como estavam tristes. A Torah proíbe um judeu de tatuar seu corpo. Esta lei nos mantém afastados dos idólatras e seus costumes.

Outra razão pela qual a Torah proíbe tatuagem, é porque o corpo nos foi dado como um presente por D’us. É uma mitsvá cuidar bem do corpo. Não devemos perfurá-lo ou marcá-lo sem necessidade”

Então vamos agora analisar as “desculpas” ou “argumentos” daqueles que defendem esta prática:

  1. Nós não estamos na Lei (Torah); agora vivemos na graça!
  2. Nossa aparência não importa; o que importa é o interior e não o exterior!
  3. Ieshua tem – e usa – uma tatuagem em sua coxa!

Bem, vamos então tratar um assunto de cada vez:

Quando falamos sobre “estar na graça” devemos nos lembrar que a expressão “era da graça” não consta da Bíblia! Ou seja, não existe uma “dispensação” da graça expressa nas Escrituras; o que existe é uma interpretação de uma linha teológica que afirma estar a história dividida em “dispensações” que transcorrem ao longo das eras e anulam-se à medida que uma sai e entra a outra. Ou seja, estas pessoas afirmam que não “vivemos mais na Lei” (Torah) pois esta dispensação já passou! Segundo eles Ieshua “destruiu” a Torah abolindo-a inteiramente! Veja a citação abaixo de um artigo retirado da WEB:

“…imprescindível saber, que cada dispensação tem as suas próprias regras, e isto é fato indiscutível. Não se pode ser cristão, guardando ritual judaico. Os rituais judaicos são para os judaizantes…”

Veja que o entendimento corrente dentro da Igreja é realmente este: a Torah acabou-se! Mas, vamos ouvir a opinião de duas outras pessoas sobre o assunto:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mt 5:17-19).

“Porque os que ouvem a Torah não são justos diante de Elohim, mas os que praticam a Torah hão de ser justificados” (Rm 2:13).

“Anulamos, pois, a Torah pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a Torah” (Rm 3:31).

Bem creio que a opinião do Messias Ieshua e de Rav. Sha´ul (Paulo) certamente deve ter um peso maior do que a de teólogos e seus simpatizantes, pois eles – os teólogos – afirmam de forma categórica que Ieshua veio DESTRUIR (ou abolir) a Torah ou os profetas – consequentemente pelo que lemos acima entendemos também que Ieshua não violou nunca a Torah! Ele ainda completa o raciocínio dizendo que aquele que violar um dos menores mandamentos será tido por menor no REINO dos CÉUS; já os “cumpridores” conhecidos em nosso meio por “legalistas” serão tidos como “GRANDES” no Reino dos Céus!

Já Sha´ul fala sobre isso dizendo que a Torah precisa ser obedecida e vivida a cada dia!

Então podemos afirmar que a “graça” conforme é pregada no meio cristão realmente não existe! O que existe é uma “licença” para fazer-se aquilo que convém com a desculpa de “estar na graça”.

Agora falemos sobre o fato de não termos de nos importar com a nossa aparência exterior… Vejamos o que o Rav. Sha´ul nos diz sobre isso:

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito o Santo, que habita em vós, proveniente de Elohim, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Elohim no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Elohim” (I Co 6:19-20).

Sendo assim, o que nos parece? Será que não temos necessidade de cuidarmos de nosso corpo físico em detrimento do interior; ou seja, somente cuido do interior – que no entendimento destas pessoas ficará bem – e no exterior será vista uma outra coisa qualquer! Será que podemos dissociar o corpo da alma e também do espírito de tal forma que cada um trabalhe e aja da forma como desejar? Novamente Rav. Sha´ul nos diz assim: “Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Elohim de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Ieshua o Messias” (I Ts 5:22-23) – grifo nosso.

Finalmente temos a legação de que Ieshua tem uma tatuagem na coxa e que voltará para nos buscar mostrando-a a todos! Vejamos o texto:

“E no manto, sobre a sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (Ap 19:16).

Veja que interessante, pois a tradução correta deste texto direto do hebraico seria: “E em cima de seu manto em cima de sua coxa está escrito este nome…”, demonstrando que uma tradução mal feita da Escritura acarreta uma série de dores de cabeça e interpretações errôneas sobre algo que nem mesmo deveria ser questionado! Em primeiro lugar Ieshua é judeu – Ele está vivo – e como vimos atrás Ele mesmo foi cumpridor da Torah, não podendo NUNCA ter em seu corpo uma marca como uma tatuagem. Em segundo lugar devemos lembrar que como judeu Ieshua usa Talit – que é o manto de orações que os homens judeus usam – e que neste Talit em especial há uma inscrição: “Rei dos Reis e Senhor dos Senhores”!

Bem, creio que isso esclarece pelo menos alguns dos questionamentos dos amados irmãos quanto à este tema. Entendemos que a aparência de uma pessoa que deseja pregar a Palavra não precisa ser exatamente igual à daquela pessoa que deva ser alcançada; porém devemos certamente ter sobre nós uma unção e um poder que provém do céu para que os perdidos possam ser impactados não pela nossa aparência que se assemelha à deles, mas sim pela glória do Eterno que fluirá de nós para alcançá-los. Necessitamos na verdade de santidade, pois sem esta ninguém poderá ver ao Eterno!

Que o Eterno nos ajude a entendermos a sua Palavra e a cada dia mais nos tornarmos como Ele é!

Rav. Mário Moreno.