União de Israel e a Igreja

Mário Moreno/ outubro 5, 2017/ Artigos

União de Israel e Igreja

Quando falamos sobre a união de Israel e da Igreja devemos nos lembrar que este é um processo que já vem sendo anunciado através de toda a Bíblia até que finalmente se consuma no século primeiro de nossa era.

Isso aconteceu de forma muito natural e espontânea, pois quando Sha´ul (Paulo) recebe o Messias Ieshua, toda sua vida muda. Não que lhe foi acrescentado algo completamente novo, mas daquele momento em diante aquele homem passa a enxergar aquilo que já possuía – Tanach – de uma forma mais abrangente. É dentro deste contexto que ele nos informa que houve um processo de enxerto daqueles que estavam “afastados” – chamados de Gentios – naqueles que nunca se afastaram do Eterno e de sua Palavra – os judeus. Então a narrativa que está registrada em Romanos capítulo 11 tem início com as seguintes palavras: “Digo, pois: Porventura rejeitou Elohim o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Elohim não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Elohim contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal” (Rm 11:1-4).

O texto é muito claro em nos afirmar que não houve rejeição da parte do Eterno para com seu povo Israel! Ele não poderia rejeitar aqueles com quem teve um relacionamento íntimo e duradouro desde a Criação! Já existia uma intimidade e uma metodologia de trabalho elaborada pelo Criador, usando Israel como este veículo para que, através deles, o mundo conhecesse sua Pessoa.

Então Sha´ul continua nos falando sobre o assunto e diz: “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça. Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra. Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos. Como está escrito: Elohim lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje. E David diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, E em tropeço, por sua retribuição; escureçam-se-lhes os olhos para não verem, e encurvem-se-lhes continuamente as costas. Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério; para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles. Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Rm 11:5-15). Os argumentos que são apresentados nos falam sobre diversos aspectos:

O remanescente – são aqueles que em todas as eras em todo o mundo nunca deixaram de crer no Messias (judeus crentes);

Os endurecidos – estes são a parte do povo de Israel que não se converteu e nem se converte ainda hoje para que os gentios fossem alcançados;

Se sua rejeição é a reconciliação do mundo imagine o que acontecerá quando eles tiverem consciência e puderem receber o Messias!

Estes argumentos nos demonstram o que aconteceu a Israel no passado para que os crentes “gentios” pudessem estar hoje na posição em que estão. É agora que Sha´ul nos fala sobre a verdadeira “identidade” dos crentes em todo o mundo: “E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são. E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Elohim não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Elohim: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado. E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Elohim para os tornar a enxertar. Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!” (Rm 11:16-24).

Quando lemos aquilo que Sha´ul nos diz entendemos então que os crentes que se convertem a Ieshua são da mesma natureza que o povo de Israel, pois eles foram enxertados nesta nação! Naturalmente sabemos que não é possível fazermos um enxerto de duas plantas de diferentes espécies. Além disso ser proibido pela Torah é também impossível, pois a natureza não permite que tal coisa aconteça! Não podemos enxertar numa oliveira um cacto (por exemplo). Então, os crentes que hoje tem servido a Ieshua ao redor do mundo são na realidade os remanescentes da casa de Israel que haviam perdido suas identidades mas que hoje estão “retornando” à sua casa e agora como filhos estão se unindo aos seus irmãos mais velhos – judeus – e formando assim um só corpo!

O parágrafo a seguir pode trazer um pouco mais de luz sobre isso:

A Restauração da Noiva

Quem é a Noiva de Ieshua? A Noiva são todos os crentes em Ieshua – quer sejam eles judeus ou gentios – na realidade, judeus e gentios crentes formam um conjunto que a escritura chama de “Noiva”.

Como já dissemos, a dispersão dos judeus fez com que muitos deles perdessem suas verdadeiras identidades judaicas, e muitos, nem mesmo sabem que são judeus! Esse processo á chamado de “assimilação”, onde um judeu que perdeu suas raízes é assimilado de tal forma que perde, inclusive, a consciência de sua identidade nacional, tornando-se assim um cidadão comum no país em que vive. Isso, nos últimos tempos, já vem sendo restaurado pelo Eterno, pois o Senhor tem mostrado a muitas pessoas sua verdadeira identidade. Muitos tem descoberto de descendem de famílias ancestrais judaicas e, portanto, são também judeus! Esse aspecto acrescenta algo mais à vida destas pessoas, que via de regra são crentes salvos em Ieshua e que nada sabiam sobre “serem judeus” na carne!

Então o que vem a seguir certamente complementará nosso raciocínio sobre estes dois povos que na realidade não passam de um só!

Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Ia´aqov as impiedades. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Elohim são sem arrependimento. Porque assim como vós também antigamente fostes desobedientes a Elohim, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles, assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada. Porque Elohim encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia. Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Elohim! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque, quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11:25-36).

Você sabe quando os judeus poderão reconhecer o Messias? Quando chegar a “plenitude dos gentios”. Este tempo é conhecido por nós como o tempo do “arrebatamento” da Noiva! É justamente aqui que os crentes são retirados do mundo e passam a fazer parte de uma nova dimensão na vida com o Messias e tem início uma nova etapa aqui na terra.

A etapa da qual falamos chama-se “grande tribulação” que tem início nas Escrituras em Apocalipse capítulo 6. Aqui já temos a menção de dois povos juntos – Israel e os crentes que ficaram – na tribulação. O texto nos diz: “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Elohim e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram” (Ap 6:9-11). Quem são estas pessoas que clamam por juízo sobre a terra? Eles já são aqueles que estão sendo mortos por Causa da Palavra do Senhor acerca do Messias! Quando a Grande tribulação tem início aparecem também em Israel as duas testemunhas que pregarão por um período de 1260 dias (aproximadamente três anos e meio). Neste período muitos judeus crerão no Messias – assim como muitos gentios o farão – e muitos morrerão por causa de sua fé, pois tais pessoas testemunharão acerca do Messias e isso acarretará na sua morte. Lembre-se que o texto nos fala sobre conservos e irmãos! Conservos são aqueles que servem juntamente com outros e isso se aplica à Igreja que está agora servindo junto com Israel; o termo “irmãos” certamente não necessita de esclarecimento, pois nos fala sobre pessoas que tem o mesmo sangue e possuem laços de parentesco que os unem.

Mas isso é só o começo, pois por todo o livro somos informados que existem dois povos caminhando juntos em direção à redenção da humanidade e o completo aniquilamento do poder das trevas!

No capítulo sete a Escritura nos fala sobre os 144.000 mil israelitas que serão separados pelo Senhor para servirem ao Cordeiro e logo após o texto nos fala novamente sobre aqueles que vieram da grande tribulação!

O capítulo nove nos fala sobre uma grande tormenta que viria sobre a terra, quando gafanhotos atormentariam aos homens com dores terríveis durante cinco meses! Mas há um grupo que não sofrerá tal dor: “E foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm nas suas testas o sinal de Elohim” (Ap 9:4). Mas, quem são estes que foram “marcados” com o sinal de Elohim em suas testas? Não seriam os crentes no Messias – judeus – e também os “gentios” crentes?

No capítulo 12 temos um fato muito interessante: o texto nos fala sobre uma mulher e o dragão. Independente daquilo que os “teólogos” dizem tenhamos frieza para analisar os fatos:

  • a mulher representa uma nação e não somente um povo;
  • a mulher tem características de Israel e não da moderna igreja;
  • o versículo 17 nos fala sobre quem é a mulher!

E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Elohim, e têm o testemunho de Ieshua o Messias” (Ap 12:17). Quem são estas pessoas? Eles são chamados de “remanescentes” da sua semente. Ora, quando lemos a Escritura Israel – nação – tem um remanescente que foi espalhado por toda a terra, mas que permaneceram fiéis aos princípios das Escrituras. E é justamente aqui que temos uma grande surpresa: este remanescente obedece a Torah durante a grande tribulação e tem ainda o testemunho de Ieshua! É justamente isso que o verso diz! Então perguntamos, quem estaria habilitado a cumprir estes requisitos que nos são apresentados pela Palavra?

Novamente temos aqui quase que uma “repetição” daquilo que já foi dito acima: “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Elohim e a fé em Ieshua. E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem” (Ap 14:12,13).

Estes aspectos já nos deixam bem familiarizados com a conexão que existe entre Israel e a Igreja mesmo durante o tempo da Grande Tribulação!

Oxalá a igreja possa reconhecer que é necessário acontecer esta união já no tempo que chamamos de “hoje”. Não podemos perder nosso tempo brigando entre nós julgando sermos melhores ou piores do que nossos companheiros e irmãos! O tempo é agora! Que não cessemos de orar para que a união entre a Casa de Israel e a igreja se consolide o mais rápido possível e que juntos possamos nos preparar para o grande evento que culminará com a volta do Messias Ieshua! Que assim seja!

Mário Moreno.