Que Bênção!
O conceito de bênção é conhecido em toda parte e sabe-se lá há quanto tempo? Na Torah, ele remonta ao primeiro homem, e até mesmo antes. Tanto religiosos quanto seculares usam o termo, e ambos significam que o abençoado é bem-sucedido. Acontece que o religioso diz que a fonte da bênção é D-us, e o secular apenas quer dizer que teve sorte.

No último caso, é um termo emprestado, pois a própria palavra em hebraico alude a D-us como a Fonte da bênção. Brachah é semelhante à palavra breichah, que significa um fluxo de água. Como um fluxo de água, uma bênção é um fluxo de luz Divina de D-us para o destinatário da bênção.
A verdade é que ninguém pode existir, nem mesmo os maus, se a luz Divina não fluir para eles. Mesmo o pior dos piores existe porque D-us os mantém vivos com Sua luz. A diferença está em como a luz se manifesta, seja disfarçada em causas aparentemente naturais ou de forma obviamente milagrosa.
Tomemos como exemplo Iosef HaTzaddik. Sua bênção foi tão pronunciada que até Potifar reconheceu seu status divino especial. Mais tarde, o Faraó o elevou de companheiro de prisão a segundo em comando no Egito por causa de sua conexão com D-us. O mesmo aconteceu com o pai de Iosef, Ia’aqov, cujo status divino foi reconhecido por Lavan, e com Yitzchak Avinu, antes dele, com quem Avimelech fez um pacto por causa de sua natureza divina. Precisamos mencionar Avraham?
Na parashá da semana passada, o povo judeu não se saiu tão bem. Edom se recusou a reconhecer o status divino especial da nação judaica e estava preparado para guerrear contra eles. Sichon e Og também, e eles foram à batalha apenas para perder por causa da bem-aventurança do povo judeu. E isso continuou ao longo dos milênios, embora, como escreve Josefo, todos soubessem do status divino especial do povo judeu, pelo menos no passado.
O que nos leva à parashá desta semana. Esta é a parashá em que Bilam e Balak conspiram para alterar o status especial da nação judaica, apenas para ouvir de D-us que nada acontece. “Este povo é abençoado”, D-us advertiu Bilam, “e isso não mudaria”. Tentar só levaria à própria ruína de Bilam, e aconteceu.
O que isso significa? Pode significar algo tão simples como protectzia, que significa conhecer alguém (D-us, no caso do povo judeu) em um lugar alto (o Céu, neste caso) que lhe faz favores quando você precisa. A única conexão necessária neste cenário é emocional.
A compreensão mais profunda é que a nação judaica vive no caminho de um fluxo especial de luz Divina, como estar sob um holofote espiritual. Enquanto você permanecer no caminho da luz, permanecerá iluminado. Afaste-se dessa luz, e ela não poderá mais iluminá-lo, deixando-o vulnerável à escuridão. A luz continuará a fluir como sempre, mas você não estará lá para recebê-la.
Foi por isso que Bilam fez Balaque oferecer tantos sacrifícios. Seu plano era tirar o povo judeu do caminho da luz divina, atraindo-o para os sacrifícios que ofereciam a D-us. Ele calculou que, se conseguisse reduzir a luz sobre o povo judeu, mesmo que só um pouco, poderia lançar uma maldição ali e cumprir seu compromisso com Balaque.
Embora estivesse certo na teoria, Bilam estava errado na prática. Os quarenta e dois sacrifícios que ofereceram a D-us foram impressionantes, mas não o suficiente para tirar o povo judeu do fluxo da luz divina. Consequentemente, as maldições de Bilam se transformaram em bênçãos, levando Balaque à loucura e Bilam à falência.
Portanto, Bilam mudou sua estratégia. Se não conseguisse tirar o povo judeu de seu pedestal espiritual, decidiu deixar que o povo judeu o fizesse por conta própria. Ele astutamente tirou os homens judeus da segurança espiritual de seu ambiente sagrado, expôs-os a mulheres indecentes e os levou ao pecado.
Funcionou, até certo ponto. Causou a morte de 24.000 homens da tribo de Shimon e a pena capital de 176.000. Foi apenas uma fração da nação, mas também mostrou a outras nações como enfraquecer o povo judeu e mostrou ao povo judeu as consequências de se afastar da luz abençoada de D-us.
É uma vida muito diferente e mais abençoada quando alguém vive no caminho da luz. É quando as orações não retornam mais vazias e o sucesso resulta além das expectativas naturais. É assim que se parece o lar para um judeu. E este é um lar que você nem quer deixar, porque a história nos mostrou, sem sombra de dúvida, o que acontece quando o fazemos, começando com a parashá desta semana. É uma lição especialmente boa para se ter em mente ao iniciarmos a escuridão e a vulnerabilidade das Três Semanas.
Tradução: Mário Moreno

