Definição de insanidade
Balak é o nome da parashá, mas na verdade trata-se de Balaão. Com exceção dos últimos versículos, toda a parashá é sobre ele, como se Moshe e o povo judeu tivessem saído de férias por uma semana. Se a questão é como D-us transformou as maldições de Balaão em bênçãos para proteger a nação judaica, isso não poderia ter sido feito em uma única aliá? A incrível e milagrosa derrota de Sichon e Og no final da parashá da semana passada mal teve alguns versículos.

Ele também é uma personalidade confusa. É chamado de “maligno”, mas ouvi-lo falar sobre D-us e Seu poder faz parecer que ele não era tão mau assim. Tito desafiou D-us diretamente, chegando a esfaquear os Parochet no Templo como se estivesse esfaqueando o próprio D-us. Balaão pode ter tentado enganar a D-us, mas nunca o desafiou abertamente.
Balaão é um homem com uma história, uma longa história. A maioria de nós é. Acontece que não conhecemos nossas histórias além de nossa vida atual, mas conhecemos a de Balaão, graças ao Arizal e ao Sha’ar HaGilgulim, sua obra sobre vida de uma pessoa.
Tudo começou com Lavan, irmão de Rebeca, pai de Raquel e Lia, e sogro de Ia´aqov Avinu. Como alguém tão “negro” poderia ser tão “branco”? Vários comentaristas oferecem explicações diferentes, mas continua sendo uma das maiores ironias da história. Afinal, quem dá o nome de “Branco” ao filho, especialmente quando os próprios pais não são exemplos de moralidade?
No entanto, o nome de Lavan pode ter menos a ver com quem ele era na época do que com quem ele se tornaria com o tempo. Como explica o Arizal, Lavan, escrito Lamed-Bais-Nun, é a primeira letra de três nomes diferentes: Lavan, Bilaam e Naval, da época de Davi HaMelech. É muita história, da primeira à última pessoa.
Lembra-se da cerca contra a qual o burro de Bilaam esmagou sua perna? Apenas uma cerca que por acaso estava no lugar certo na hora certa? Não segundo o Arizal, que explicou que a cerca era, na verdade, o monte de pedras que Ia’aqov e Lavan construíram como parte de seu pacto de não se ferirem mutuamente no final da Parashá Vayaitzai. Bilaam estava, efetivamente, quebrando esse pacto ao ultrapassá-lo para amaldiçoar o povo judeu.
E por amaldiçoar o povo judeu, Bilaam morreu tornando-se como uma pedra! Quando esse tikun terminou, um outro homem nasce e manifesta-se como Naval HaCarmelli que, vejam só, simplesmente não conseguiu se livrar do hábito e amaldiçoou Davi HaMelech. Então, Naval aparentemente sofreu um derrame e morreu. Uma coincidência? De forma alguma. Depois de lançar sua maldição contra o rei de Israel, Naval “lembrou-se” de que havia sua postura deveria ser como uma rocha – silenciosa – mas seguiu as palavras malignas de Balaão, e através disso, amaldiçoara novamente. “Seu coração morreu dentro dele” quando se lembrou de que originalmente deveria abençoar para ser retificado.
Isso é mais do que fascinante. Nos diz, e até nos adverte, para não nos apegarmos demais ao presente, como se isso fosse tudo o que importasse para nossas vidas atuais. Não é, porque, sem dúvida, todos nós estamos aqui e tendo a oportunidade de vivenciar coisas nesta vida provavelmente visa retificar pecados ou carências, e também quebrar padrões do passado, como explica o Arizal.
Mas como ter certeza? Bem, na época de Naval, você podia ir a um profeta e perguntar a ele. Hoje, não temos ninguém a quem perguntar que possa nos dar uma resposta definitiva, então realmente não podemos saber.
Mas o que podemos fazer é reavaliar quaisquer decisões que possam ter grande impacto em nossas vidas. Se for algum tipo de teste, evidente pelas questões morais que levanta, considere como suas ramificações podem ir além da sua vida atual.
Estamos aqui por razões específicas, e não é apenas porque nossos pais se casaram e tiveram filhos. Os pais apenas fornecem os corpos, mas é o próprio D-us quem escolhe qual alma entrará neles. Podemos não escolher conscientemente nossos pais, como alguns gostariam de acreditar, mas também não nascemos deles sem motivo.
Podemos ainda não saber qual é esse motivo, mas se nos permitirmos um pouco de curiosidade sobre ele, D-us pode nos dar discernimento suficiente para nos permitir tomar decisões melhores e fazer tikun de forma mais eficaz, se não nesta oportunidade, pelo menos até a próxima, antes que venha o dia de nossa morte!
Tradução: Mário Moreno.

