Guiados pelo Passado
“Estas são as jornadas dos Filhos de Israel que deixaram a terra do Egito em suas legiões, sob o comando de Moshe e Arão. Moshe registrou suas saídas em suas jornadas, conforme a palavra de Hashem, e estas foram suas jornadas para suas saídas” (Nm 33:1-2).

Parece que há dois tipos de jornadas sendo mencionados aqui. Uma é “suas saídas para suas jornadas” e a outra é “suas jornadas para suas saídas”. A primeira é “sob a responsabilidade de Moshe e Arão e de acordo com a palavra de Hashem”. A que se refere então a segunda?
Há duas árvores específicas mencionadas no Jardim do Éden: uma é a Árvore da Vida e a outra é a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Qual é a diferença entre essas duas árvores e sua aplicação prática para nós? A Árvore da Vida se refere à Torah. Ela nos mostra um modo de vida, como navegar com alegria por esta vida e alcançar a bem-aventurança de Olam Haba. O Talmud se refere a essa abordagem como “o caminho longo que é o caminho curto”. Há uma exigência de trabalho, estudo e obediência diligente, mas, a longo prazo, é um caminho frutífero. Ao montar qualquer coisa, sempre ajuda ter instruções. Quanto mais complexo o item, maior o manual do usuário. Uma bicicleta tem uma ou duas páginas e um carro já é um livro mais grosso. E quanto ao Livro da Vida?! Quão completo, rico e sofisticado ele deve ser!?
Shlomo HaMelech escreve em Provérbios (3:5-6), “Confie em Hashem de todo o seu coração e não se apoie no seu entendimento. Conheça-o em todos os seus caminhos, e Ele endireitará as suas veredas.” Quais são as instruções de vida listadas aqui? Não se baseie em suas próprias avaliações, mas confie em HASHEM de todo o coração. Faça a coisa certa a cada momento, e então você terá criado, com HASHEM, uma bela imagem. A vida é como uma pintura por números. O “Plano A” produz resultados que estão muito além da nossa imaginação mais louca e limitada. Esta é a maneira objetiva de envolver a subjetividade da vida.
A segunda árvore é a Escola dos Golpes Difíceis. Ela é movida pela experimentação e repleta de tentativas e erros. É uma maneira totalmente diferente de aprender. A mensalidade desta escola é tentadoramente baixa. Na verdade, é zero. Não custa nada no início, porém, no final, é muito caro. Esta é a maneira subjetiva de chegar à objetividade e pode nos custar anos e décadas de vida, relacionamentos valiosos, saúde e muito mais, para descobrir o que poderia ter sido aprendido muito antes. Este é “o caminho curto que é o caminho longo”.
Às vezes, um jovem é enviado ao meu escritório. Ele chega muito chateado. Eu vou e peço que ele espere e, quando estiver mais à vontade, pergunto o que aconteceu. Geralmente, sou recebido com uma enxurrada de afirmações de que a culpa é de todos e que a culpa não é dele. Então, eu o acalmo dizendo: “Você não está em apuros!”. Sua expressão facial imediatamente relaxa e se normaliza. Explico: “Sinceramente, não sei o que aconteceu. Você não só não está em apuros, como hoje poderia ser um ótimo dia, se aprendêssemos com o que acabou de acontecer. Pode ser por isso que você veio à escola hoje ou este ano. No entanto, se você não aprender alguma coisa, então está em apuros, mas não comigo. Você está em apuros consigo mesmo. Esse problema provavelmente se repetirá várias vezes ao longo da sua vida até que você descubra o que precisa aprender. Provavelmente é melhor você aprender aqui e agora, comigo te ajudando, do que depois de uma vida inteira de negação. Agora, vamos descobrir isso juntos. Devagar, o que aconteceu?”
Dizem que a pessoa mais bem-sucedida não é aquela que comete menos erros, mas sim aquela que mais aprende com seus erros. Certa vez, levei toda a minha família para um passeio de barco. Eu era o capitão daquela excursão e precisei de um “curso intensivo” (um termo nada inspirador). Aprendi que um barco dirige de forma diferente de um carro. O leme é movido para trás e o barco se move na direção oposta. Um carro dirige da frente e vai para onde as rodas apontam. Às vezes, olhamos para o futuro e, com frequência, somos guiados pelo passado.
Tradução: Mário Moreno.

