O Sinal de um Povo Livre

Mário Moreno/ janeiro 23, 2026/ Teste

E nesta noite, comerão a carne (do Korbon Pesach), assada no fogo, e Matzá; com Maror a comerão” (Êx 12:8).

Este é o pão da aflição que nossos ancestrais comeram na terra do Egito. Quem tiver fome, que venha e coma; quem estiver necessitado, que venha e celebre o Pessach. Este ano estamos aqui; que no próximo ano estejamos na Terra de Israel. Este ano estamos na escravidão; que no próximo ano sejamos um povo livre. (Seder de Pessach – Hagadá)

Logo no início do Seder, nos deparamos com um grande problema. Primeiramente, declaramos que estamos aqui e agora, atualmente em exílio. Depois, pelo resto da noite, construímos um mundo de gratidão por termos saído do Egito. Poderíamos perguntar cinicamente: “Qual foi a conquista da experiência do Êxodo se agora nos encontramos de volta no turbilhão da história? O que mudou?

O Maharal escreve em Gevurat Hashem 31: “Alguns perguntam: ‘De que nos adianta se já estamos sob a autoridade de outros? O que foi diferente com o Êxodo do Egito?’ Essas são palavras vazias. Quando Israel saiu do Egito, recebeu uma qualidade essencial de bem, na medida em que é intrinsecamente apto a ser livre por causa da essência do seu ser. As circunstâncias nunca podem anular o essencial.” Porque Israel é imbuído dessa qualidade de ser um povo livre e por acaso se encontra atualmente em um contexto de exílio…”

Vamos decodificar as palavras do Maharal. Qual é o significado da distinção que ele faz entre “Etzem” – Essencial e “Mikroh” – Circunstancial? Imagine um homem rico que, após sair do quarto do hotel e desfrutar de uma refeição suntuosa em um restaurante, descobre que esqueceu sua carteira com seus cartões de crédito e identidade. Agora ele se vê em sérias negociações com a gerência. Eles o observam com suspeita e, embora ele seja humilhado no processo, ele sabe lá no fundo que atrás de uma porta trancada em um quarto de hotel do outro lado da cidade está um pequeno fichário de couro preto que contém a resposta para seus problemas. Então, ele suporta as indignidades com equanimidade. Ele é essencialmente uma pessoa rica, mas suas circunstâncias atuais têm sinais de pobreza.

Também é possível que uma pessoa tenha todos os símbolos de liberdade, privilégio e poder e, ainda assim, seja seriamente viciada em algum comportamento grosseiro ou padrões sombrios de pensamentos perturbadores que não permita que ele se sinta essencialmente livre. Conhecemos muitos exemplos ao redor do mundo de indivíduos que aparentemente “conseguiram”, mas inevitavelmente fracassaram em tudo.

Qual é a verdadeira conquista do Êxodo do Egito, se nos encontrarmos novamente no exílio?! Desfrutamos do doce sabor da liberdade. Ela agora está para sempre instalada em nossa memória histórica e DNA espiritual. Somos essencialmente livres, mesmo que as circunstâncias, neste momento, não reflitam uma imagem de liberdade. Amamos, vivemos e ansiamos continuamente pela verdadeira liberdade.

Agora, imagine uma magnífica e majestosa águia-careca que se encontra em um galinheiro. Ela sente que algo está errado. Ela se sente estranha e diferente. Ela tenta pegar o máximo possível daqueles minúsculos grãos, assim como as galinhas ao seu redor, mas eles não a satisfazem.

Um dia, ela percebe uma pequena abertura na tela que delimita sua casa. Ela consegue se espremer para fora e agora está sentada no topo da gaiola de arame. Instintivamente, ela dá um salto selvagem e, para evitar uma queda brusca, abre suas amplas asas e, surpresa, começa a voar. e planar. Ele sobe cada vez mais alto até conseguir contemplar toda a paisagem de montanhas, rios e campos. É algo muito além do que ele jamais imaginara.

O tempo voa enquanto ele sobe, e o sol começa a se pôr. Então, ele desce para aquele lugar familiar lá embaixo que sempre chamou de lar. Ele pousa no galinheiro e se espreme de volta pela abertura. O fazendeiro aparece para alimentar as galinhas e, percebendo a brecha, a conserta rapidamente para garantir que nenhuma ave escape. Ele percebe agora que é uma águia presa em um galinheiro; essa casa de arame é uma prisão que o limita severamente.

Após uma experiência libertadora, uma pessoa pode se dar conta, dolorosamente, de quão restritiva é sua situação atual. Sim, ela pode viver atualmente com alguma angústia existencial e um esforço constante para expressar seu desejo mais profundo, e essa ânsia revela o sinal de um povo livre.

Tradução:

Mário Moreno.

Share this Post