Onde você está?
A Criação. Após 5.756 anos, ela ainda nos intriga. Onde o mundo começou e onde ele terminará? Muitas vezes, esquecemos de fazer uma pergunta muito mais pertinente do que “quantas estrelas existem na Via Láctea”. Esquecemos de perguntar o que estamos fazendo neste mundo e onde nos encaixamos no grande panorama da criação. Nesta semana, somos lembrados dessa pergunta por ninguém menos que o próprio Criador.

Depois que Adão e Eva comeram o fruto proibido no Jardim do Éden, foram tomados pela vergonha. Cobriram-se com folhas de figueira e esconderam-se da ira de D-us. D-us, prestes a interrogá-los, surge como se estivesse procurando por eles no Jardim, como se fossem fugitivos da justiça. Então, aparentemente com uma frustração fingida, Ele faz uma pergunta que parece pouco condizer com o Onipotente: “Onde você está?” Isso sempre me incomodou. Por que esse artifício? Ele sabia muito bem onde eles estavam, exatamente o que haviam feito e por que estavam se escondendo. Por que, então, a pergunta: “Onde você está?”
Talvez haja uma grande lição para aprendermos com isso. Mesmo depois de cometermos o que julgamos ser o maior dos pecados e desejarmos desaparecer, tendemos a perder a autoconfiança e o interesse em nós mesmos. Hashem não perde o interesse em nós. Ele continua perguntando por nós. Ele quer saber onde estamos. Ele também quer que nós saibamos onde estamos.
Na cidade de Chelm, havia um homem muito distraído. Ao ir à casa de banho, preocupou-se com a possibilidade de esquecer quem era ao ficar sem roupas. Amarrou um fio vermelho no dedão do pé para garantir que não perderia sua identidade. Infelizmente, o fio escorregou de seu pé e enrolou-se no dedo de outro banhista. Assustado ao ver o fio no pé do vizinho, ele exclamou: “Eu sei quem você é, mas quem sou eu?”
Muitas vezes, estamos ocupados perguntando “onde está D-us?” ou “quem é D-us?” Às vezes, nossas perguntas situam-se no presente: “Onde está D-us?” Outras vezes, referem-se ao passado: “Onde estava D-us?” Estamos tão absortos na busca pelo desconhecido e pelo invisível que, muitas vezes, esquecemos de buscar a nós mesmos. É possível que a primeira pergunta de D-us ao ser humano seja um questionamento incessante, que ecoa desde tempos imemoriais: “Onde você está?” Talvez devêssemos perguntar a nós mesmos, constantemente: “Onde estamos?” Deveríamos fazer essa pergunta ao analisar nossa posição em cada aspecto da vida. Afinal, se D-us quer saber onde estamos, não deveríamos nós também querer saber?
Tradução: Mário Moreno

